Coluna

O labirinto de Zema

romeu zema
Foto: Pedro Gontijo / Imprensa MG - 

Romeu Zema mais conhecido como o Chico Bento de Minas Gerais governou, ou melhor, reinou por três anos sem nenhum problema. Empresário, disse ter escolhido para suas secretarias pessoas com experiência para o desenvolvimento de suas responsabilidades nas áreas destinadas. 

O escolhido para o cargo máximo do executivo estadual dizia que iria fazer um governo diferente, sim os outros anteriores estavam errados em suas ações. Tudo seria novo em Minas Gerais. Adeus gestões fraudulentas fracassadas em suas negociações, gastos ineficientes, superfaturamento de obras ou serviços e, também os salários altos dos servidores públicos e escolhidos para trabalhar nos cargos comissionados. Este último são os que o governador escolhe para ocupar as secretarias e são de sua confiança. 

O sinal começou a amarelar quando ao observar que seus escolhidos reclamavam dos salários foi obrigado a pagar os chamados jetons. Estes aumentam os valores de seus ganhos mensais. Em Minas não havia profissionais qualificados (será!??) para algumas áreas por isso foram importados do Rio de Janeiro servidores especiais. Somente isso já produziu um distanciamento entre estes e seus comandados. Na educação isso é claro. Para piorar em novembro de 2021 houve um profissional carioca que recebeu mais de R$ 208 mil em seus rendimentos. Um escândalo para quem dizia que iria fazer o contrário. 

Em seu primeiro ano de governo teve sorte, e muita, diga-se de passagem. Estava enfrentado uma greve dos profissionais de ensino em 2020 e pressionado para aumentar os valores a receber dos servidores da segurança pública. Com relação a este último grupo fez um acordo que enfureceu e fez pressão para aumento da greve do primeiro. Nessa confusão veio o período pandêmico. Foi sua salvação. Nesse momento as greves foram suspensas devido à anomalia. Com isso como agiu o governo? Sendo Zema o empresário: descumpriu o acordo com os profissionais da segurança e não cedeu reajustes para os da educação. O plano parecia perfeito. Mas....

Durante o momento pandêmico governou apenas através de suas imagens e jargões. Em suas declarações somente dizia: peguei o estado quebrado e agora pago os servidores em dia. Isso para ele bastava. Escolhia para quem daria entrevista. A cada imagem gravada nas redes sociais, um jargão novo. Em relação a pandemia não fez nenhum esforço em seu combate. Os valores recebidos pelos mais pobres foram frutos de esforços da Assembleia Legislativa e não do executivo. Quando algo saí do controle culpa sempre os outros. Este é o Zema. 

Agora o período pandêmico continua, porém, vacinados os servidores públicos iniciam as cobranças dos problemas não resolvidos durante sua gestão. Dessa vez, com a inflação alta e os salários com profundas perdas no poder de compra não é somente os profissionais da educação e segurança que desejam que seus rendimentos sejam aumentados. A não ação de Zema está produzindo uma situação inusitada: pela primeira vez na história de Minas Gerais os trabalhadores nas áreas de educação, segurança pública e saúde podem estar em greve no mesmo momento. Além de outros que também ameaçam parar. 

O problema no qual Zema se encontra é saber que rei não necessariamente dialoga, mas estamos em outro regime político e, nesse as conversas e acordos são necessários e, cumprir fundamental. Não adianta delegar essa função a seus secretários. Enquanto ele não aprender isso terá inúmeras dificuldades para governar. 

Em tempo, é preciso lembrar que este ano tem eleições e seus adversários estão de olho em suas manobras para sair desse labirinto.  Diferente do personagem de Maurício de Sousa, o Chico Bento de Minas constrói mais os desafetos em suas ações.

Jurutan Alves

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Dialogus

Jurutan Alves contagense. Mestre em Ciências Sociais, Cientista Político, especialista em Marketing Político, fotógrafo e docente, autor do livro Os Reis: fotografias negras. Pesquisa sobre a qualidade da democracia e o sistema educacional no país.

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