Coluna

VEXAME EM ISRAEL

Rio - Bolsonaro estava em seu gabinete, tentando colocar a máscara, quando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo entrou.

- Quem é? - perguntou o presidente. - Não estou enxergando nada.

- O senhor colocou a máscara do modo errado, presidente. Não é sobre os olhos. É para cobrir a boca e o nariz.

- A culpa é desse idiota do Lula que apareceu agora para me obrigar a usar essa merda de máscara! E porque você está usando esse nariz de palhaço vermelho?

- Foram os israelenses que nos obrigaram a usar porque nós não tínhamos máscara contra o Covid.

Bolsonaro pegou o telefone e mandou chamar o secretário de comunicação Fabio Wajngarten.

- Fabio, eu quero que você divulgue para a imprensa o novo slogan do meu governo, taokey?

ILUSTRAÇÃO BOLSONARO
Ilustração: Nani

- O que houve com o “O Brasil acima de tudo...”?

- Não interessa. O novo slogan do meu governo será: “Nossa arma é a vacina”. 

- Mas o senhor não disse que o seu governo era contra a vacina. Que o bom era a Cloroquina? - indagou o ministro.

- Estou numa fase paz e amor. - disse.

- É formidável, já estou vendo o senhor na TV fazendo "arminha'' imitando uma vacina com os dedos. - disse o secretário.

- Boa, né? Logo que tive essa ideia, levei-a ao Pazuello, que ficou entusiasmadíssimo, e quase se engasgou com a rosquinha que estava comendo.

- Legal, presidente! Vou marcar uma coletiva com toda a imprensa. O senhor vai liberar seis vacinas para cada brasileiro, como as armas?

- De que lado você está? Do meu lado ou do lado do sapo barbudo?

- Desculpe, presidente! Não resisti à piada.

- Tá demitido! Ernesto, liga para o Flávio Rocha.

- Mas, presidente, o almirante Flávio já é secretário especial de Assuntos Estratégicos. E depois, o senhor não acha que tá colocando militares demais no seu governo? - indagou o ministro.

- O Flávio vai acumular as duas funções. Militar ganha mal, precisa de dois empregos.

- Presidente, desculpe, mas a maioria dos brasileiros não tem nem um emprego!

- Isso daí, já é uma “cuestão” para o Paulo Guedes resolver. Tô fora disso daí. Eu quero saber é como foi a viagem de vocês para Israel para tratar da “cuestão” do spray nasal que combate o Covid-19? Preciso apresentar uma novidade para os meus eleitores, o Lula tá me pressionando.

- A viagem "correspondeu às expectativas", senhor presidente.

- Correspondeu às expectativas? Como assim? Trouxeram o spray? Trouxeram a vacina? Os insumos?

- Não. Ainda, não... Eles perguntaram quem era o nosso cientista na delegação, quando eu disse que não havia nenhum cientista na nossa comitiva eles não nos deixaram nem entrar no laboratório.

- Então, vocês gastaram uma fortuna com essa viagem para Israel e não trouxeram nada?

- Bem...

- Como eu vou explicar aos congressistas todo esse gasto com uma viagem inútil? Vou ligar para o Zero Três, ele vai ter que me explicar isso.

- Eduardo! Você encheu um avião da Força Aérea Brasileira de amigos para buscar um spray nasal em Israel e não trouxe nada?! Como você pode ser tão incompetente assim?

- A culpa é dessa imprensa mequetrefe que nós temos no Brasil. Eles só deram cobertura à falta de máscaras e de proteção contra o vírus. Era máscara pra qui, máscara pra lá… Enfia a máscara no rabo!!

- Mas, Dudu, você poderia ter trazido ao menos um spray, para calar a boca deles, né?

- Bem, papi, spray, não; mas eu trouxe uma Uzi.

- A sub-metralhadora israelense?

- Isso.

- Bom, pelo menos não perdemos a viagem.

Ediel Ribeiro (RJ)

661 Posts

Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

Comentários


  • 12-03-2021 18:44:34 Helder Caires

    O presidente Bolsonaro disse que não é coveiro, né? Convido a ser coveiro para ficar um dia numa funerária. Só um dia, para acompanhar as famílias que estão perdendo parentes, para ter a real noção do que está acontecendo no Brasil. Não estamos sepultando urnas, estamos sepultando pessoas. "Lourival Panhozzi, presidente da Abradif (Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário),