Coluna

BOLSONARO, "O MINTO"

Rio de Janeiro - Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha - e muito - é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).

Ligado à Secretaria de Comunicação - SECOM - o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, sob o comando do secretário especial Fabio Wajngarten.

Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão e de sua prole.

Se o presidente ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.

O secretário empurra a porta do gabinete, e entra esbaforido.

Arte - Nani

- Presidente! Presidente! Tá cheio de gente lá fora!! - gritou Fabio Wajngarten.

- Ótimo! São os meus apoiadores.

- Bem...Quase.

- Por quê, quase?

- Eles querem dinheiro!

- Dinheiro? Quem está lá fora?

- Aquele padre que quer vender a igreja católica; os pastores Silas Malafaia, Edir Macedo e Waldomiro Santiago; o pessoal do Centrão, o Olavo de Carvalho…

- É a minha base eleitoral.

- Mas, presidente, o governo está sem dinheiro. Tá faltando dinheiro até para pagar o auxílio-emergencial.

- E daí? Tira do Bolsa Família!

- Já tiramos para gastar com a propaganda do seu governo, lembra?

- Fala com o Paulo Guedes.

- Já falei. Ele disse que só se conseguir vender a Petrobrás e a Caixa Econômica.

- E na Petrobrás? Não tem mais nada lá?

- Nada. O PT levou tudo.

- Comunistas! Fascistas! Esquerda corrupta!!

- Não tem como dar mais dinheiro a esse povo todo! O Carluxo já mandou a Secretaria de Comunicação dar 300 mil por mês ao Olavo de Carvalho; 100 mil ao blogueiro Allan dos Santos e 100 mil a Sara Winter. Estamos no fundo do poço!

- E daí? Tem que pagar aos apoiadores. Tira da verba da saúde!

- Mas como, presidente? O número de mortos continua subindo. Os hospitais estão sem leitos, faltam respiradores, máscara, álcool gel...

- Desmente! Manda recontar os mortos. Manipula os números. Divulga apenas mil mortes por dia. Ao invés de divulgar os números às 18h, divulga às 22h, depois que os jornais já fecharam as edições do dia, assim o Jornal Nacional só divulga no dia seguinte. Vai parecer que não morreu ninguém naquele dia, taokey?

- Mas, presidente, manipular o número de mortos da Covid-19 é crime!

- Não. É política. É um negócio. Como a Máfia, só que legalizado. A Máfia nunca se preocupou com quantos morriam. Tudo é business.

- Business??

- Aprendi no Wizard.

- Por falar em Wizard, o Carlos Wizard, aquele que o senhor botou para recontar os mortos, desistiu de assumir a secretaria do Ministério da Saúde. Disse que os mortos não quiseram colaborar.

O presidente fez cara de desesperado.

- Presidente por que o senhor não reúne os seus amigos empresários e faz uma “vaquinha” para arrecadar dinheiro para seus apoiadores? É preciso calar a boca dessa gente! Eles querem dinheiro de qualquer jeito! Essa gente é perigosa, eles sabem demais. O seu guru lá da Virgínia disse ontem que se o senhor não ajudá-lo ele derruba o seu “governo de merda”.

- Filho-da-puta! O Olavo falou isso? - perguntou, indignado, o presidente.

- Falou! E não foi o único a criticar o seu governo. O doutor Mandeta, o juiz Moro, a atriz Regina Duarte, todos deixaram o seu governo atirando. Acho melhor o senhor rever o decreto de liberação do porte de armas.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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