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Home Colunas

PIXINGUINHA E A ARTE DO IQUE

Por Ediel Ribeiro
19 de abril de 2019 - 08:29
em Colunas

Divulgação

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Rio – No Bar da Portuguesa, em Ramos, finalmente, fui apresentado a nova arte do amigo Ique.

Não tão nova. Em 2004 já me chamava a atenção, encostada num poste de Ipanema, a estátua de Luiz Lopes, “O Corneteiro”, herói desconhecido das batalhas pela independência do Brasil. Mas, confesso, não sabia que era do Ique.

Diferente, menos óbvia, construída aos poucos, charmosa e irresistível me impressionou pela semelhança física a estátua de Pixinguinha, vestindo pijama, que ocupa uma cadeira na calçada do Bar da Portuguesa, seu boteco de estimação.

O monumento em homenagem ao maestro, compositor e arranjador Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, criado pelo cartunista Ique Woitschach, instalado na calçada do Bar da Portuguesa, frequentado pelo músico carioca, foi confeccionada em bronze, pesa cerca de 400 quilos e mede 1,40m de altura.

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Ique, um cartunista conhecido por seu trabalho no jornal O Globo, é um dos mais talentosos artistas dessa nova geração de escultores e criadores de estátuas em homenagem aos nossos ídolos, que não param de surgir no cenário carioca. 

Aliás, estátua não: como ele mesmo diz, o que faz é “cariscultura”, misto de caricatura e escultura. Talvez seja isto o que diferencia, e melhor define o  trabalho do Ique. 

Já são mais de 25 as estátuas interativas – de vários autores – que retratam figuras públicas em tamanho natural. Já foram “eternizados” em bronze, Ismael Silva, Chacrinha, Renato Russo, Luiz Gonzaga, Michael Jackson, Pixinguinha, Carlos Drummond de Andrade, Tom Jobim, Dorival Caymmi e Ary Barroso, entre outros.

A homenagem póstuma ao  autor de “Carinhoso”  é uma das mais justas e oportunas. Enquanto morou no bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o maestro gastava parte do seu tempo no bar próximo da sua casa, na esquina das ruas Custódio Nunes e João Silva. 

O compositor frequentemente aparecia por lá acompanhado da esposa, Beti, e vestido de pijama, bem à vontade. Também pudera: o bar fica a poucos metros da travessa onde morava, hoje batizada rua Pixinguinha.

O bar, onde criou suas músicas e viveu entre garrafas de cerveja preta, pinga, tremoços e amigos, recebeu em 1969 o encontro de Pixinguinha com o violonista Baden Powell, registrado pelo músico francês Pierre Barouh no documentário “Saravah”.

Donzília Gomes, a portuguesa de Trás-os-Montes que dá nome ao botequim, que comanda desde a morte do marido, há 26 anos, não conheceu Pixinguinha. Quando passou a trabalhar no bar, o maestro já havia falecido. Mas o ex-marido, Alfredo Gomes, já falecido, que comprou o estabelecimento no início dos anos 70, teve tempo de servir muita pinga e tremoços ao compositor. 

Flautista e saxofonista, Pixinguinha nasceu em 23 de abril de 1897 e é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, tendo contribuído diretamente para dar ao choro uma forma musical definitiva. Começou a tocar, em 1912, em cabarés da Lapa, bairro boêmio do Centro do Rio, e compôs sucessos como  Carinhoso e Lamentos. Pixinguinha morreu em fevereiro de 1973. 

*Ediel Ribeiro e jornalista e escritor

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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