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MEU NOME É HERMÉ

Rio de Janeiro - Conheci Hermé em 2012, em um ‘Encontro de Cartunistas’, organizado pelos cartunistas Ferreth e Amorim, no bar ‘Sindicato do Chopp’, no Leme (RJ).

Foi, como na música do Jorge Aragão, amor à primeira vista. Hermé é dessas figuras que te conquistam logo de cara. Dei a ele um autógrafo e ganhei um desenho que ele fez na toalha da mesa do boteco.

A minha assinatura na camisa dele, aliás, dá o que falar até hoje. Me ajoelhei em frente a sua barriga protuberante para autografar sua camiseta. O fotógrafo me pegou em um ângulo que insinuava o ato que tornou Monica Lewinsky famosa nos EUA. Hermé me sacaneia até hoje.

hermé
Hermé / Crédito: Paulo Vitale - 

Hermé, que inteiro é Guilherme Antunes Tovar Eisenlohr (ufa!), usa. por preguiça, parte do primeiro nome ‘herme’, com acento agudo na última vogal, como nome artístico.

Nascido em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em maio de 1958, ainda bem jovem,  participou do "Salão de Verão", no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Aos 17 anos começou a desenhar no ‘Jornal da Mantiqueira’, no interior de Minas Gerais. Aos 20 anos, foi para a ‘Gazeta’, no Sul de Minas, onde recebeu o convite para atuar como publicitário na Alcoa Alumínio. 

Na imprensa, fez quadrinhos, cartuns e ilustrações. No mercado de arte, faz esculturas, gravuras, desenhos e pinturas. 

Trabalhou nos jornais ‘O Globo’, ‘Jornal do Brasil’, ‘Gazeta Esportiva’’, no "Última Hora", do jornalista Samuel Wainer, em São Paulo e nas revistas "Fatos", "Ciência Hoje", "Playboy", "Status", "Ele & Ela", entre outras. 

Em ‘O Globo’, fazia cartuns e ilustrações para a editoria de economia.

“Um dia, 1984, acho, levei um Macintosh, um computador enorme, na casa do Ziraldo. Queria que o Ziraldo me ensinasse a usar o ‘trambolho’. Botei um jogo para rodar. Ziraldo, com os olhos arregalados, foi cético": 'Não acredito nisso. Isso é coisa do capeta. Desenho é feito a mão'.

"Diante da negativa do pai do 'Menino Maluquinho', levei o computador para a redação do jornal ‘O Globo’.  Obtive autorização para tentar ilustrar usando a tal máquina.  Com isso,  fiz a primeira ilustração digital na América Latina. Isso deu o start para a implantação dos computadores na velha redação" - disse. 

De lá, convidado por Mário Monteiro, foi para a TV Globo que  iniciava o processo de cenografia digital. 

“Mário Monteiro era também carnavalesco da escola de samba "Estácio de Sá" e fizemos lá o primeiro projeto de desfile por computador.  A Escola do Morro de São Carlos trouxe para a pista da Marquês de Sapucaí, em 1992, o enredo “Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil”, uma homenagem à Semana de Arte Moderna de 1922. Ganhamos o carnaval - disse.

Em 1980, Hermé morou na Argentina onde publicou no jornal ‘Clarin’ e na revista ‘Humor’; Desenhou o pôster de Bob Dylan para o ‘Hollywood   Rock’; Com Guilherme Rodrigues, da "Lithos Edições de Arte", fez a primeira edição digital de gravura no Brasil; Com o escritor baiano Jorge Amado, participou de uma exposição no ‘Centro George Pompidou’, na França; Fez uma exposição individual como escultor, em 1988, na galeria AMC e Participou da exposição “100 Anos de Morte de Van Gogh”, no Museu Nacional de Artes Plásticas, onde tem peças no acervo. 

Ano passado, Hermé Tovar participou do ‘Projeto Cartunistas’, do fotógrafo Paulo Vitale, que imortaliza, em fotos que vão virar livro, grandes cartunistas brasileiro.

O ano, no entanto, não foi só de alegrias para o artista. Em outubro de 2022, uma tragédia se abateu sobre o cartunista: sua filha Luiza foi atropelada em Botafogo, no Rio de Janeiro. A tragédia comoveu amigos, artistas e fãs do cartunista. Houve uma comoção generalizada. Fãs e amigos apoiaram e ajudaram o cartunista. Infelizmente, dois meses depois, no dia 17 de dezembro, Luiza faleceu. O artista ainda se recupera da trágica perda.

Mesmo abatido, Hermé, hoje com 64 anos, continua a fazer aquilo que mais gosta: arte. 
 

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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