Coluna

O 'PACOTE DE BONDADES ' DO PRESIDENTE

Rio - Bolsonaro odeia tanto os pobres que, entre alguns funcionários do Palácio do Planalto, ele já está sendo chamado de Justo Veríssimo.

Para os mais jovens, Justo Veríssimo foi um personagem do programa humorístico ‘Chico City’, que odiava pobre, criado pelo comediante Chico Anísio.

“ODEIO POBRE!!!!” 

O grito do presidente Jair Bolsonaro ecoou pelos corredores do Palácio do Planalto, quando o Secretário de Comunicação chegou com os números da última pesquisa de intenção de votos para a presidência da República, que indicavam a rejeição de 76% dos mais pobres ao presidente.

Essa aporofobia do presidente, no entanto, não é recente. Bolsonaro, no início do seu governo, ainda nem tinha esquentado a cadeira e já chamava o programa assistencialista ‘Bolsa Família’, criado no governo Lula, de ‘cabresto de amarrar pobre’.

Não há a menor dúvida de que este governo é francamente elitista e, por consequência, contrário aos menos favorecidos. As declarações do próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre ‘pobres nos aeroportos’,  ‘domésticas na Disney’ , ‘ filho de porteiro em universidade ’ e ' dar as sobras de comida para os pobres ', dão bem as medidas da política para os menos favorecidos  deste governo.

Bolsonaro quer mais é que os pobres se explodam!

Não há um único indicador social que tenha melhorado sobre a batuta do capitão. Não há  uma mísera lei, reforma estruturante ou mero ato administrativo que tenha favorecido os miseráveis deste país.

Não havia. 

BOMBA
Reprodução / Internet - 

Hoje, preocupado com a reeleição, Bolsonaro prepara um 'pacote de bondades' que incluem ‘voucher caminhoneiro’ e aumento do Auxílio Brasil até o fim de 2022. O capitão já faz as contas, em uma última tentativa para reverter os resultados das pesquisas negativas, a menos de 100 dias da eleição.

O presidente se vira para o Secretário de Comunicação, André de Souza Costa e diz:

- André, vamos aumentar o Auxílio Brasil de R$400 para R$600, taokey?

- Mas, presidente, o senhor sempre foi contra o Auxílio. Inclusive, no início, o senhor queria dar apenas R$200 para as famílias carentes, lembra?

E daí? O que importa é que eu estou jogando dentro das quatro linhas. A bola é minha, eu dito as regras. Se não gostar, eu troco os jogadores, troco o juiz e furo a bola, taokey?

E mais, vamos  aumentar o valor do vale-gás, de R$50 para R$100. Vamos dar também um pix de R$1.500 para os caminhoneiros…

- E quanto as outras categorias, presidente? As benesses do seu governo não vão atingir as demais categorias? Além disso, esse seu "pacote de bondades", que não para de crescer, pode estourar o ‘teto de gastos’. O gasto extra do orçamento pode chegar a R$300 bilhões. 

- No tocante a isso daí o problema é do Paulo Guedes; eu quero é me reeleger!

- Esses benefícios serão vitalícios?

- É claro que não! Vão só até o fim do ano. Passando as eleições, a gente corta tudo.

- E como ficam os pobres, apartir daí? Por acaso até o fim do ano o senhor vai acabar com a fome de 33 milhões de brasileiros?

- Eles que se explodam!

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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