Coluna

Troféu Desatinado 2021

Messias Bolsonaro, o mito pés de barro, é acusado de genocida em ação impetrada no Tribunal Internacional de Haia (Foto: Mauro Pimentel)

- Marineth, dezembro anuncia o fim do ano, período de tempo criado que calcula trajetória da humanidade no planeta Terra. E, tradicionalmente, a população que ocupa o latifúndio de cada tiquinho do imenso espaço terrestre faz balanço geral do período anual. E dentro desse contexto, que inclui ainda antevisões otimistas e pessimistas à temporada vindoura, um personagem deve ganhar destaque no Brasil. Não tenho a menor dúvida que o hipotético mito pés de barro que ocupa o trono da presidência da República auferirá Troféu Desatinado 2021. Ele carrega no dorso mais de 120 pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados, dentre os quais o “superpedido” com 46 signatários, incluindo dirigentes de entidades organizadas da sociedade civil, parlamentares de diferentes campos ideológicos e partidos políticos.

- Athaliba, além dos pedidos de impeachment, o hipotético mito pés de barro vai responder a processo no Tribunal Penal Internacional de Haia. A ação que se soma a apresentada em 2019, o acusa de genocida e ecocída. E não vamos esquecer que a CPI do COVID-19 recomendou que fosse enquadrado em crimes comuns, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade.

- Marineth, no governo teve várias aberrações, como o Abraham Weintraub, na Educação, que chamou de “vagabundos” ministros do Supremo Tribunal Federal - STF - e participou de ato antidemocrático pedindo o fechamento do Supremo e do Congresso. Exonerado da função, foi laureado com cargo no Banco Mundial. O precursor dele, Ricardo Vélez, colombiano naturalizado brasileiro, caiu em desgraça ao exigir que os pais filmassem seus filhos nas escolas cantando o tema “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Por sua vez, o Carlos Decotelli não esquentou a cadeira. Foi nomeado e depois exonerado, ao se descobrir informações falsas de conclusão de pós-doutorado no currículo. E quem ocupa o cargo, atualmente, é Milton Ribeiro, pastor da Igreja Presbiteriana Mackenzie. Ele afirmou que “universidades incentivam sexo sem limites”, por meio do pensamento existencialista.

- Athaliba, e o general da ativa do Exército, Eduardo Pazuello? Que vergonha, heim!

- A Saúde, Marineth, soma quatro ministros. Luiz Mandetta e Nelson Teich caíram fora por discordar do mito pés de barro na pandemia do COVID-19. Aí nomeou o general Pazuello, que em vídeo se expressou subservientemente, jurando que “um manda e o outro obedece”. A cena foi tão cômica que o capitão reformado caiu na gargalhada. Exonerado, a vaga foi preenchida por Marcelo Queiroga, que numa comitiva na ONU fez gesto obsceno - dedo no c* - para brasileiros ao reagir a protesto contra o mito pés de barro, mostrando que é pau mandado dele.

- Athaliba, na relação do Brasil com o mundo a situação vai de mal a pior, né?

- Marineth, o Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, criou graves atritos para a diplomacia brasileira. E, na CPI do COVID-19, tentou acobertar as falas xenofóbicas do mito pés de barro contra a China e jogou nas costas de Pazuello a culpa pelo fracasso na diplomacia das vacinas contra o COVID-19. Foi forçado a demitir-se. A vaga está ocupada por Carlos Alberto Franco França, que não fede nem cheira, pois a experiência dele na diplomacia se resume aos anos em que serviu ao cerimonial da Presidência da República.

- Athaliba, e o caso de “ir passando a boiada” que transpôs as fronteiras do Brasil?

- Marineth, o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial, sugeriu o seguinte: “Nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa porque só se fala de covid é ir passando a boiada, e mudando todo o regramento e simplificando normas”. Foi o delegado Alexandre Saraiva, chefe da Polícia Federal no Amazonas que o desmascarou, com denúncia no STF. Aí ficou exposta a aliança dele com madeireiros e garimpeiros ilegais, além de tentar desmontar o Ibama e o ICMBio e extinguir unidades de conservação. O substituto, Joaquim Álvaro Pereira Leite, foi assessor de ruralistas e é ligado à disputa de terra indígena. Tudo igual.

- Athaliba, o bicho pegou na Justiça e Segurança Pública.

- É verdade, Marineth. O “casal” quebrou o pau devido a interferência política na Polícia Federal. O hipotético mito pés de barro se divorciou do ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Porém, a separação litigiosa ainda irá render muitas esfregações, atritos, fricções em 2022. Ufa!!!

- Phorra, Athaliba, basta! É só desgraça em cima de desgraça. O mito pés de barro é merecedor do Troféu Desatinado 2021, indiscutivelmente. Para a próxima crônica vou te relatar reais destaques na vida brasileira, sem “famosos” e “celebridades”. Ficamos combinados assim? 

Lenin Novaes

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Crônicas do Athaliba

LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

Comentários


  • 09-12-2021 16:13:10 Lenin Novaes

    Olá, Regina! Vamos vislumbrar no horizonte a utopia embutida nas eleições majoritárias de outubro e renascer das cinzas. Pois ainda resta um pouco de esperança sustentando a vida. Você é otimista?

  • 05-12-2021 20:11:54 Regina

    Com tantos desatinos o que há no horizonte para 2022?