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O professor é vagabundo?

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Pixabay. 

Sempre digo que não foi o magistério que me escolheu. Muito pelo contrário eu escolhi ser Professor e tenho muito orgulho da minha escolha. E quem me conhece sabe que eu poderia ter escolhido outras opções. Mas repito: escolhi ser Professor!

Ao longo dos meus 20 anos de sala de aula, portanto de Professor, fui criando uma empatia com minha profissão, o que faz com que muitas pessoas nem me chame pelo meu nome, mas sim por Professor. Algo que também me deixa muito feliz. Sinto um orgulho inexplicável quando ouço as pessoas me chamando de Professor.

Claro que essas duas décadas não foram só de rosas e alegrias. Vivi experiências fantásticas, mas chorei com tantas outras, afinal, lidamos com gente. E trabalhar com gente é sujeitar-se ao novo a todo instante, ao inesperado, ao susto, à emoção... ainda mais quando esses são adolescentes e jovens. Mas talvez esteja aí o grande desafio da profissão!

E hoje posso afirmar sem medo de errar: ser Professor no Brasil não é uma tarefa fácil, somos desmerecidos, mal remunerados, mal preparados, considerados um peso para o Estado, um gasto inútil. O fato é que vivemos num país que não valoriza a educação e por consequência lógica os seus professores. 

Ao longo dos anos vamos colecionando pérolas, que de alguma forma tentam nos rotular e colocar sob os nossos ombros a culpa da péssima educação escolar do nosso país. Já fomos considerados mal casados; baderneiros; um dia desses um Ministro disse que: “hoje, ser um professor é ter quase que uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”, provavelmente quis nos chamar de “burros” e incompetentes; e agora, aparece mais um cidadão, por sinal deputado federal, dizendo, que nós professores, não queremos trabalhar. 

De todas essas pérolas que se somam a tantas outras, só me resta afirmar mais uma vez, a educação no Brasil não é prioridade, pois esses comentários refletem a total falta de conhecimento daquilo que se passa nos bastidores da educação brasileira. Por isso, as coisas não mudam nunca. Como vamos mudar esse trágico cenário educacional, se a maioria dos políticos nem sabem o que estão dizendo?

De modo particular, em relação ao Deputado Ricardo Barros, que nas entrelinhas de sua fala nos chamou de vagabundos, tenho a dizer o seguinte: podemos não estar dentro da escola, agora ouvir a afirmação que não estamos trabalhando, isso sim é de doer a alma. Muito pelo contrário, confesso que de forma remota tenho trabalhado muito mais, preferiria um milhão de vezes, por diversos motivos, voltar para sala de aula, para o ambiente escolar.

Mas sabe por que não voltei ainda? Porque moro em um país de políticos, sendo a maioria um bando de incompetentes, que vivem brigando pelo poder e suas benesses e estão pouco se importando com os rumos do país. 

E deixo uma sugestão para os senhores, nobres deputados: destinem o total das verbas parlamentares para a compra de vacinas. Isso sim, seria uma atitude de nobreza, que poderia colaborar para que o país voltasse o mais rápido ao normal.

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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