Coluna

Carta aberta aos eleitos: executivo e legislativo

A classe política no Brasil, em todas as esferas, provavelmente tenha chegado às margens do fundo do poço. Infelizmente, não temos motivos para acreditar nos políticos, com raríssimas exceções o que vemos e vivenciamos são fatos que comprovam tal afirmativa. A cada dia vemos aumentar casos de crimes, de todas as espécies, envolvendo políticos. 

Mas como vivemos em uma pais de viés democrático de Direito, em todas as eleições os sentimentos positivos afloram, nasce a esperança por dias melhores, por uma cidade, um país mais justo, onde as pessoas possam conviver com a dignidade, com justiça social, mas tudo isto acaba se transformando em uma doce ilusão, pois até hoje não se transfigurou em realidade.

Mas a esperança não acaba e nem pode. Nas eleições foram escolhidos os senhores e senhoras para serem os nossos representantes, poderíamos discutir aqui todas as situações que envolvem uma eleição, que no nosso país, também com raríssimas exceções, são reflexos do que há de mais podre. Mas isto é uma outra história. É melhor continuar sonhando e acreditando, como canta Roberto Carlos, que “daqui pra frente tudo vai ser diferente”, só não sei ainda se aprendemos a ser gente. 

Assim, nobres representantes, mesmo sendo um “Zé Ninguém” deixo aqui algumas reflexões para os digníssimos senhores:

Primeiro: tenham por favor espírito de estadista, acreditem que das suas ações, realizadas com responsabilidade, podem transformar a realidade. Mas pensem na cidade, nos munícipes, não dá mais para transformar a prefeitura em um balcão de negócios particulares e artimanhas para a manutenção do poder. 

Segundo: pelo amor de Deus tenham compaixão para com as pessoas, não usem do sofrimento e da pobreza delas para manterem este ciclo vicioso da miséria eleitoral. Pois é isto que vem acontecendo há séculos. Não dá mais para ficar mendigando pedidos de atendimento médico, vagas em creches e escolas, doações de remédios, entre outros casos. 

Terceiro: lembrem-se que vocês são os nossos representantes, trabalham para e em função do povo. Vocês são nossos empregados, muito bem pagos por sinal, para cuidarem das nossas coisas, do bem comum, do patrimônio público que é de todos nós. 

Quarto: queiram deixar os vossos nomes para a história, não de forma negativa, mas como aqueles que colocaram o município na rota certa, com uma nova cara, vivenciando as mudanças que todos queremos e precisamos.

Quinto: saibam gerir o dinheiro público, precisamos urgentemente de uma gestão eficiente, que busque resolver as prioridades, que não são poucas. Não dá mais para ver tanto dinheiro ser malgasto. Ver o dinheiro sendo subutilizado, numa obra inacabada, numa reforma ou construção malfeita, no pagamento dos mais diversos tipos de propina, bem como em contatos que beiram a legalidade, mas escondem nas entrelinhas o desvio legalizado de verbas públicas. 

Sexto: a forma atual de se fazer política no Brasil está esgotada, apadrinhamento, inchar a máquina pública com companheiros partidários, toma lá dá cá, agradinhos, escolher as pessoas erradas para ocuparem cargos estratégicos, não deveriam mais fazer parte da nossa forma de fazer política. Se seguirem esta fórmula, saibam que estão dando o primeiro passo para o fracasso. A história nos mostra que não é mais possível continuar assim, basta, chega! 

Sétimo: queiram pagar o preço de serem justos, quem quiser de fato tentar resolver os nossos problemas, terá que ter a coragem de fazer o que é preciso, e não o que simplesmente agrada. Infelizmente, se formos fazer somente o que agrada, provavelmente nunca faremos o que é preciso. Como diria Platão, é preciso sair da caverna para contemplar a beleza da vida, quem vive somente dentro dela acostuma com a escuridão. Ter coragem de sair e tentar tirar o povo da escuridão não é fácil não! 

Há um ditado popular que diz que “de boas intenções o inferno está cheio”, precisamos, portanto, de atitude, de ações eficazes, de medidas realmente transformadoras. E isto agora está nas mãos dos senhores, pois como todos dizem, daqui para a frente os senhores possuem o poder da caneta. Enfim, esperamos por dias melhores! 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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