Coluna

Resgatar a credibilidade

mentiroso
Imagem ilustrativa / Reprodução

Dizem que melhor do que ter dinheiro é ter credibilidade, é ter crédito, pois ela abre e mantém as portas abertas para conquistas, projetos e realização de objetivos. Zelar, portanto, da nossa credibilidade perante as pessoas deveria ser uma das nossas maiores virtudes. 

Dizem também que em um passado não muito distante a palavra de uma pessoa era considerada sinônimo de compromisso firmado. Palavra pronunciada era certeza de atitude executada. 

Assim, a história nos mostra que o comum, a regra geral, nas relações comerciais era simplesmente verbalização do compromisso, se alguém falasse que venderia ou compraria algo por um determinado preço, o acordo seria cumprido entre as partes, mesmo que uma delas viesse a tomar consciência que estaria tomando prejuízo. Mas a palavra foi dada e com ela a credibilidade. 

Eram comuns as compras anotadas em papel de pão, papel que hoje em dia por questão de higiene nem se usa mais, havia também a anotação em um caderno que a medida que iam sendo pagas eram simplesmente rabiscadas ou destacava-se a folha e jogava no lixo, depois inventaram o uso de cheques, entre outras formas.

O importante é que a história nos mostra que as pessoas, via de regra, honravam suas palavras, sejam quais forem os compromissos, justamente para não perderem a credibilidade. Deste modo havia entre as pessoas a confiança do que se falava, na mesma proporção se pensava o que falar, pois palavra falada era sinônimo de palavra executada. 

Mas com o tempo, por diversos motivos, essa credibilidade começou a ficar arranhada e a palavra passou a perder sentido, ao ponto de não valer mais nada. Chegamos ao ponto que praticamente ninguém confia mais na palavra do outro. 

Para piorar inventamos um monte de mecanismos na tentativa de dar credibilidade a uma intenção anunciada, pois somente a palavra já não basta mais. Criamos os cartórios e com ele o reconhecimento de assinaturas e contratos, mas mesmo assim, para uma grande parte da população não faz diferença nenhuma. Chegamos ao ponto da descrença até nos contratos assinados e registrados. Como exemplo, até mais simplório, veja a aceitação de cheques no comércio. 

Vivemos uma crise de credibilidade, em todas as áreas e setores. Infelizmente, generalizando, as instituições públicas e privadas sucumbiram em seus verdadeiros propósitos; órgãos de imprensa são olhados com desconfiança; as redes sociais estão dominadas pelas Fakenews; a política chegou no fundo do poço do descrédito; enfim, estamos perdendo a batalha para a mentira, para as falácias, para a crescente forma “espertalhona” de ser. De descrédito em descrédito a humanidade vai sucumbindo.

Entre tantos desafios que enfrentamos resgatar a credibilidade das nossas palavras talvez seja um bom caminho para colocarmos nosso país num lugar onde ele nunca esteve: no trilho pleno do desenvolvimento social e econômico.

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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