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WOODY ALLEN

WOODY ALLEN
WOODY ALLEN - DIVULGAÇÃO

Sou fã do Woody Allen. Principalmente do escritor. 

Tão fã que tenho um filho chamado Woody (10) e uma filha, chamada Annie (9), por causa do filme “Annie Hall”.

Na verdade, Woody Allen quando começou a carreira queria ser escritor. Não ator ou diretor. Começou ainda adolescente escrevendo humor e outros textos para jornais.

Mas, Woody Allen, virou um grande diretor. Polêmico, controverso, sempre criativo e competente; escreveu, dirigiu e atuou em grandes filmes como “Manhattan”, “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Setembro”, “Annie Hall”, “Memórias”, “Interiores”, “A Era do Rádio”, entre outros.

Paralelamente a profissão de ator e diretor, Woody Allen desenvolveu as - não menos importantes - carreiras de escritor, humorista e músico, nas horas vagas.

Li todos os seus livros: “Sem Plumas”, “Que Loucura”, “Cuca Fundida”, “O Nada e Mais Alguma Coisa”, todos publicados no Brasil pela L&PM, com excelente tradução de Ruy Castro. 

Li, também, o livro-entrevista “Woody Allen por Woody Allen”, de Stig Björkman, publicado aqui pela Nórdica.

Estava esperando, ansiosamente, por “Apropos of Nothing” (A Propósito de Nada), seu livro de memórias que sairia pela Hachette Book Group, uma das maiores editoras dos Estados Unidos, semana passada.

A HBG, no entanto, em um comunicado à imprensa americana, nesta sexta-feira (6), anunciou que não publicará mais o livro de memórias do escritor e diretor.

A suspensão foi gerada desde que Dylan Farrow, filha adotiva de Woody com Mia Farrow reabriu a acusação de que ele a molestou em 1992, quando ela tinha apenas seis anos. 

A acusação original - nunca comprovada - partiu de Mia ao descobrir que Woody tinha um caso com outra de suas filhas adotivas Soon-Yi Previn, então com 21 anos.

O jornalista Ronan Farrow, filho de Woody  e Mia encampou a acusação de assédio contra Allen, pressionou a editora e acabou conseguindo que a HBG abortasse a publicação.     

Outra obra do diretor, o filme “Um dia de Chuva em Nova York”, no entanto, entrou em cartaz no Brasil, esta semana. Òtima notícia. O filme estava engavetado pelo mesmo motivo do livro.

A polêmica em torno do assédio, supostamente praticado por Woody Allen, e o linchamento moral por parte da imprensa sensacionalista americana, tem impedido o diretor de trabalhar em seu próprio país. 

Nos últimos 49 anos este genial artista de 84 anos lançou 48 filmes, entre os quais alguns dos maiores sucesso do cinema mundial.

Em casos rumorosos como este, é importante separar o artista, o gênio, o ídolo, do homem. Principalmente, em histórias não comprovadas como essa. 

A própria Mia Farrow, sua ex-companheira - e também uma grande atriz -, que o acusa de assédio, é acusada por seus filhos de abandono e maus tratos. 

Moses Farow, de 41 anos, um dos 14 filhos de Mia (10 são adotivos) disse que Mia agredia os filhos psicológica e fisicamente. Ele fala que testemunhou os irmãos serem arrastados e jogados de escadas e depois trancados em quartos ou armários.

Segundo ele, Thadeus, o irmão paraplégico, foi trancado na rua por Mia como castigo e se matou, anos depois, com um tiro, dentro do carro, a poucos minutos da casa da mãe.

Tam, era cega e viveu com depressão, condição em que alegadamente, Mia não acreditava e negligenciava. Moses disse que a irmã se suicidou ingerindo uma grande dose de comprimidos, após uma discussão com a mãe.

Já Lark, a filha adotada em 1973, se entregou as drogas e morreu após contrair HIV, em 2008.

“Não era um lar feliz nem saudável”, disse Soon-Yi - mulher de Woody desde 1991 - lembrando que também era agredida fisicamente por Mia. 

Portanto, ao invés de censurarem, publiquem as biografias de Woody e (por que não?) de Mia. Acredito fortemente que existe um grande público que deseja ler as história de Woody Allen e Mia Farrow, contadas por eles próprios.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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