14,Dec
Coluna

Racismo: é preciso encarar de frente

Foto: ONU/Marcia Weistein

Tornou-se comum, todos os dias noticiar-se casos de racismo. Não interessa o local, a forma, a classe social, mas as manifestações racistas estão lá presentes. Ainda insistimos na perpetuação de certos “não valores” que denigrem a essência da própria humanidade. 

Que ninguém nasce racista isto é fato, mas infelizmente muitos se tornam e acreditam, escrachadamente ou até mesmo de forma velada, que estão corretos, que podem pensar e agir como se alguns de nós fossemos superiores a outros. Ledo e estúpido engano!

Agora, podemos nos questionar: até quando conviveremos com casos de racismo nas escolas, nos estádios, nos clubes, nas igrejas, entre familiares, enfim, em todos os lugares? O certo é que precisamos encarar o problema de frente, precisamos combater ferrenhamente todas as formas de racismo. 

Um bom ponto de partida para as nossas reflexões seria um profundo e humano estudo histórico de tudo aquilo que envolveu a comunidade afro no Brasil, desde o tráfico negreiro, passando pelo processo de escravização, até chegar no que de fato representou a Lei Áurea. Não podemos esquecer de dois pontos cruciais: a política de branqueamento, iniciada durante o segundo reinado que acarretou o incentivo às imigrações e as circunstâncias da decretação do Código Penal em 1940, por Getúlio Vargas. 

Aprofundando neste contexto histórico percebe-se que uma sociedade que sempre renegou, excluindo socialmente e deixando à margem de tudo uma parte dos seus membros, não será difícil compreender quem se tornarão os “marginais”. 

Quem sabe assim entenderíamos um pouco da nossa atual realidade social, pois não podemos negar nosso passado e nem tão pouco fingir que este mesmo passado não releva muitas situações que caracterizam nosso atual modelo de sociedade. 

O que não dá mais é para ficarmos tampando o sol com a peneira ou jogando a sujeira para debaixo do tapete. Agindo assim, sempre assistiremos os mesmos casos, por isso repito: é preciso encarar as intermináveis formas de racismo de frente. 

E encarar de frente significa propiciar uma educação com valores e de qualidade, fomentar as oportunidades verdadeiras, que promovam de fato uma mudança social, chega desse papinho que o sol nasceu para todos ou que todos têm as mesmas oportunidades, pois sabemos que não passa de balela, papo furado. 

Encarar de frente significa combater a corrupção, que afeta as pessoas mais carentes, mais vulneráveis, tirando delas a possibilidade de viverem com dignidade e terem oportunidades, criando um ciclo vicioso da miséria humana, que de certa forma alimenta o racismo. 

Encarar de frente é fazer valer a Lei do Racismo ou até mesmo criar formas alternativas de coerção, como trabalhos comunitários que envolvam a temática em questão. O que não pode acontecer é a impunidade. 

Encarar de frente significa admitir que temos uma dívida histórica e que ela precisa ser paga com políticas públicas eficientes. Assim, penso que estaremos dando um grande passo para o combate ao racismo. 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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