21,Nov
Coluna

Cuidar do planeta é cuidar da vida

Discutir ou tentar mensurar a inteligência humana acredito que seja uma tarefa impossível. Somos seres fascinantes, dotados de capacidades infinitas, indiscutivelmente um ser que beira a plenitude, mesmo reconhecendo nossas fraquezas e limitações. Desenvolvemos, criamos, ampliamos, adaptamos, somos simplesmente sensacionais. 

Vivendo coletivamente, como afirmava Aristóteles “somos seres políticos e sociais por natureza” e por isso nos completamos. A sociedade nada mais é, ou deveria ser, do que a conjunção dos seres humanos imperfeitos, que mesmo frágeis individualmente, ao se unirem tornam-se robustos e capazes de romper com os mais delicados obstáculos e de ultrapassar os corriqueiros limites que surgem com a existência.

Sozinhos somos pequenos, unidos somos praticamente imbatíveis. E o grande segredo da vida é justamente este: conseguir unir, agregar. A individualidade que se acentua a cada dia tem nos tornado fracos e pequenos. 

O maior exemplo disso pode ser percebido com o cuidado que temos com o planeta, ou melhor com a falta de cuidado, para ser mais exato. Ainda não oferecemos ao planeta o verdadeiro sentido que ele deveria ter para cada um de nós. 

Desmatamos as florestas, poluímos as águas e o ar, matamos os animais, enfim, somos os maiores predadores do planeta. E sem perceber a vida se vai em meio ao caos provocado pela nossa ação destruidora.

Nos últimos dias a notícia em voga diz respeito ao mar de petróleo que está tomando conta das praias do litoral nordestino. Centenas são os pontos invadidos pela lama preta. Praias tornam-se temporariamente impossíveis de serem frequentadas, causando danos ambientais e sociais.

Os danos ambientais podem ser irreversíveis ou até mesmo demorar séculos para a devida regeneração. Mas não nos esqueçamos que os danos sociais também podem seguir a mesma direção. Imagine o comerciante que se preparou para receber o turista, dependendo do investimento que foi feito, o prejuízo pode significar sua falência ou endividamento. Portanto, não podemos dissociar uma coisa da outra. O certo seria pensar e agir justamente ao contrário, pois cuidando do planeta, automaticamente estamos zelando também pelas nossas coisas. 

E quem é o culpado ou quem são os culpados pelo derramamento do petróleo? Independentemente de quem seja, e mesmo que venha a ser responsabilizado de alguma forma, é muita tristeza ver a destruição lenta e gradual que vamos assistindo todos os dias em relação ao nosso planeta. Ainda não nos demos conta de que a vida humana está atrelada diretamente à própria manutenção da vida planetária em todas as suas dimensões. 

Nossa inteligência deve ser usada para o bem, para enriquecer e promover a vida e não o inverso. Pode ser balela, mas não cabe em pleno século 21 pensar de forma mesquinha e olhar apenas para o próprio umbigo. Somos bilhões, o planeta é único. 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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