20,Sep
Coluna

Overdose de informação

Uma das características do terceiro milênio é ser considerado o milênio da informação. O acesso ao mundo do conhecimento torna-se cada dia mais fácil e acessível a todos que o procuram. Nunca foi tão descomplicado conhecer, adquirir conhecimento, ter acesso ao infinito mundo da informação. 

Basta um clique ou digitar uma palavra chave nos sites de busca que em segundos um turbilhão de caminhos virtuais se torna disponível, e em muitos casos, a exemplo de um labirinto, nos sentimos perdidos em meio ao mundo infinito de possibilidades. Eis o terceiro milênio!

Não obstante a esta overdose de informação algo inusitado e proporcionalmente parece acontecer: temos informação demais e pelo visto conhecimento e sabedoria de menos. Mesmo tendo acesso ao universo de dados e informações ainda preferimos acreditar nas redes sociais.

Penso que a informação, que se traduz no conhecimento, a exemplo da água e o adubo, como tantas outras coisas, são essenciais e vitais para a manutenção da nossa evolução. Entretanto o que nos dá vida, pode também nos matar. Depende muito de como usamos o que temos, por isso citei a água e o adubo.

A água é um líquido indiscutivelmente necessário para a vida de todos os seres, mas podemos morrer afogados ou engasgados. Portanto, mesmo com sede não adianta cair numa piscina de qualquer forma e nem tão pouco colocar um jato de água com bastante pressão na boca. O segredo é beber satisfatoriamente e sempre, permitindo que o organismo consiga absorver.

Com o adubo é a mesma situação. Quer matar uma planta é só colocar excesso de adubo na base do caule. Por isso, uma planta para crescer e produzir o que desejamos deve ser cuidada e adubada na quantidade certa e constantemente. 

Assim, dentro desta analogia, percebo que a enxurrada de informações que recebemos a todo o instante está produzindo uma consciência que vou denominar de híbrida. Uma consciência da qual nada se brota, que não vai além de si mesma. 

A overdose de informações cria um ambiente de histeria, o que acaba enaltecendo as redes sociais ou os meios mais fáceis de se “conhecer” ou encontrar o que se busca. Parece estranho, mas é o que pelo visto está acontecendo. 

Portanto, aguamos demais, adubamos demais e deixamos de lado a busca pela medida certa, pela constância, pela qualidade, por aquilo que realmente interessa, que é um conhecimento que possibilite a produção de outros, que colabore para uma qualidade de vida melhor, que possibilite que nos tornemos um ser humano melhor,pois como diria o filósofo Sócrates, conheça primeiro a ti mesmo, só depois terás condições de conhecer o universo. 

Tem um ditado popular que diz que em muitos casos menos é mais. Toda informação é bem-vinda, todavia, precisa ser digerida, entendida e interpretada e para isto acontecer precisa estar na medida certa que cada um de nós consiga absorver. 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, é Graduado em História pelo Centro Universitário Assunção (1999). Especialização (Lato sensu) em Ciências do Ambiente pelo Centro Universitário de Caratinga (2002) e Maçonologia: História e Filosofia (2018) pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER). Mestrado em Meio Ambiente e Sustentabilidade pelo Centro Universitário de Caratinga (2005). Desde 2002 é professor do Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Colunista semanal dos Jornais: Diário de Caratinga e Roraima Em Tempo (Boa Vista/RR). Esporadicamente seus artigos são publicados em vários jornais diários do país, entre eles: Estado de Minas; Diário Popular; Diário do Rio Doce. Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica. Atualmente está cursando o Doutorado em Geografia - Tratamento da Informação Espacial pelo Dinter PUC-Minas/UNEC.

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