20,Sep
Coluna

Sempre inventamos uma boa justificativa para continuarmos os mesmos 

professor walber gonçalves
Prof. Walber Gonçalves de Souza

Para muitos pesquisadores nós brasileiros somos merecedores de um profundo  estudo. Decifrar a nossa personalidade coletiva é uma missão que beira o impossível, pois além  do famoso “jeitinho brasileiro” que nos é bem peculiar e conhecido por todos, acrescentaria  uma outra característica que se enraíza cada vez mais na nossa sociedade que é a nossa imensa capacidade de inventarmos sempre uma boa justificativa para tudo. 

Todavia, essa capacidade de justificativa serve única e exclusivamente para  permanecermos os mesmos. Dela não brota nada que direciona a uma nova tomada de postura. Justificamos tudo para não mudarmos nada. 

Sempre temos uma justificativa na ponta da língua que acompanha e explica a nossa  inércia frente aos diversos aspectos da vida em sociedade. Somos geniais na arte de inventar  justificativas e desculpas. 

Só que essa “genialidade inventiva” nos cega, não permite que evoluamos nas questões sociais. Justificar por justificar cria uma sensação de que as coisas não precisam encontrar uma outra solução. E assim vamos nos atolando nos nossos velhos dilemas que se  perpetuam na nossa sociedade. 

Não estudamos e sempre colocamos a culpa no colega que não para de cutucar ou falar; não lemos e dizemos que o livro é caro; colocamos o lixo para coleta em qualquer horário pois o vizinho assim o faz; não respeito à lei pois ninguém respeita; quero ser sempre o primeiro, pois aprendi que o mundo é dos espertos; e assim, entre milhares de outros exemplos, vamos construindo nossa sociedade.  

Por isso é tão comum usarmos os outros para escondermos nossos atos. Quem nunca  disse ou ouviu aquela velha máxima: “como todo mundo faz eu também faço”?!  “E assim  começamos a justificar (nossos erros). E uma vez que você justifica algo, você pode fazer isso de novo e de novo. Torna-se mais fácil. O certo e o errado se confundem”.  

Claro que tudo é explicável, mas a questão não é essa, nossas justificativas não são usadas para corrigir ou mudar as coisas, muito pelo contrário, são usadas simplesmente para justificarem o porquê de não fazermos as coisas, como se isso fosse o ideal. Com a justificativa mantemos a convicção de que estamos certos, mesmo tendo plena consciência do contrário.  

Portanto, se queremos eliminar, acabar com os nossos males sociais, devemos ter a coragem de parar de justificar nossos erros. Nossos defeitos precisam ser encarados e dentro do possível eliminados. E tudo é uma questão de hábito.  

Enquanto a nossa mentalidade estiver focada na criação de justificativas perderemos  a oportunidade de corrigir  nossos erros. Erros estes que nos mantêm na terrível e desumana realidade no qual se encontra o nosso país. Precisamos ter a coragem de combater o bom combate, aquele que se trava consigo mesmo. 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, é Graduado em História pelo Centro Universitário Assunção (1999). Especialização (Lato sensu) em Ciências do Ambiente pelo Centro Universitário de Caratinga (2002) e Maçonologia: História e Filosofia (2018) pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER). Mestrado em Meio Ambiente e Sustentabilidade pelo Centro Universitário de Caratinga (2005). Desde 2002 é professor do Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Colunista semanal dos Jornais: Diário de Caratinga e Roraima Em Tempo (Boa Vista/RR). Esporadicamente seus artigos são publicados em vários jornais diários do país, entre eles: Estado de Minas; Diário Popular; Diário do Rio Doce. Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica. Atualmente está cursando o Doutorado em Geografia - Tratamento da Informação Espacial pelo Dinter PUC-Minas/UNEC.

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