Coluna

Sempre inventamos uma boa justificativa para continuarmos os mesmos 

professor walber gonçalves
Prof. Walber Gonçalves de Souza

Para muitos pesquisadores nós brasileiros somos merecedores de um profundo  estudo. Decifrar a nossa personalidade coletiva é uma missão que beira o impossível, pois além  do famoso “jeitinho brasileiro” que nos é bem peculiar e conhecido por todos, acrescentaria  uma outra característica que se enraíza cada vez mais na nossa sociedade que é a nossa imensa capacidade de inventarmos sempre uma boa justificativa para tudo. 

Todavia, essa capacidade de justificativa serve única e exclusivamente para  permanecermos os mesmos. Dela não brota nada que direciona a uma nova tomada de postura. Justificamos tudo para não mudarmos nada. 

Sempre temos uma justificativa na ponta da língua que acompanha e explica a nossa  inércia frente aos diversos aspectos da vida em sociedade. Somos geniais na arte de inventar  justificativas e desculpas. 

Só que essa “genialidade inventiva” nos cega, não permite que evoluamos nas questões sociais. Justificar por justificar cria uma sensação de que as coisas não precisam encontrar uma outra solução. E assim vamos nos atolando nos nossos velhos dilemas que se  perpetuam na nossa sociedade. 

Não estudamos e sempre colocamos a culpa no colega que não para de cutucar ou falar; não lemos e dizemos que o livro é caro; colocamos o lixo para coleta em qualquer horário pois o vizinho assim o faz; não respeito à lei pois ninguém respeita; quero ser sempre o primeiro, pois aprendi que o mundo é dos espertos; e assim, entre milhares de outros exemplos, vamos construindo nossa sociedade.  

Por isso é tão comum usarmos os outros para escondermos nossos atos. Quem nunca  disse ou ouviu aquela velha máxima: “como todo mundo faz eu também faço”?!  “E assim  começamos a justificar (nossos erros). E uma vez que você justifica algo, você pode fazer isso de novo e de novo. Torna-se mais fácil. O certo e o errado se confundem”.  

Claro que tudo é explicável, mas a questão não é essa, nossas justificativas não são usadas para corrigir ou mudar as coisas, muito pelo contrário, são usadas simplesmente para justificarem o porquê de não fazermos as coisas, como se isso fosse o ideal. Com a justificativa mantemos a convicção de que estamos certos, mesmo tendo plena consciência do contrário.  

Portanto, se queremos eliminar, acabar com os nossos males sociais, devemos ter a coragem de parar de justificar nossos erros. Nossos defeitos precisam ser encarados e dentro do possível eliminados. E tudo é uma questão de hábito.  

Enquanto a nossa mentalidade estiver focada na criação de justificativas perderemos  a oportunidade de corrigir  nossos erros. Erros estes que nos mantêm na terrível e desumana realidade no qual se encontra o nosso país. Precisamos ter a coragem de combater o bom combate, aquele que se trava consigo mesmo. 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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