14,Oct
Coluna

“Não vou a p*** da Casa Branca”

- Athaliba, a californiana Megan Rapinoe, jogadora e capitã da seleção feminina dos EUA, durante a Copa do Mundo, na França, declarou à imprensa que “não vou a p*** da Casa Branca”, no caso de conquista do título de campeã, por divergências políticas com o presidente Donald Trump. Firme em seu propósito, em outra entrevista coletiva, reafirmou sua posição, dizendo que “vou começar falando e depois podemos falar sobre o futebol. Mantenho meu comentário sobre não querer ir à Casa Branca. Com exceção do palavrão, porque minha mãe não ficaria orgulhosa. Mas mantenho minha posição. Em caso de vitória prefeito não ir por causa dos meus valores. Vou aconselhar minhas colegas a fazerem o mesmo”.

- Pois é, Marineth, a atleta, maior goleadora da seleção dos EUA e que se destaca por seu ativismo político e social, já vinha afirmando que as políticas implementadas por Trump se distinguem pelo retrocesso no campo da igualdade e da luta contra a discriminação racial. Ela, que é casada com Sue Bird, tetracampeã olímpica com o time de basquete dos EUA, é uma das vozes mais conhecidas na defesa dos direitos da comunidade LGBTi e dissera que faria todo o possível para denunciar as políticas contraditórias do presidente estadunidense.

- Athaliba, o presidente Trump, incomodado com as declarações da jogadora, utilizou a sua conta no Twitter para dizer que “ela precisa, primeiro, vencer e conquistar o título de campeã do mundo”. E, depois da seleção feminina estadunidense conquistar o título de campeã, ao derrotar a seleção holandesa, ele voltou à rede social para manifestar “parabéns à seleção americana de futebol feminino por sua vitória na Copa do Mundo; uma grande e emocionante partida; os EUA estão orgulhosos de todas vocês”.

- Marineth, ele, inclusive, fez o convite para as jogadoras ir à Casa Branca. Mas, quem vai garantir que a seleção comparecerá? Pois para Megan Rapinoe o presidente Trump é nefasto e recordou que ele, durante a campanha eleitoral, em vídeo divulgado, se vangloriava de pegar as mulheres “pela xoxota”. A jogadora luta pelos direitos das atletas dos EUA, sendo uma das responsáveis pelo processo movido pelas jogadoras da seleção contra a sua federação, que acusam de discriminação favorável à equipe masculina, no país no qual a equipe feminina é a mais vitoriosa, obtendo o tetracampeonato na França.

- Athaliba, a jogadora Rapinoe foi eleita a melhor atleta da partida, contra a Holanda. Ela foi a autora do gol que abriu o placar e levou a seleção à vitória por 2 a 0. Seu desempenho na Copa do Mundo rendeu dois prêmios individuais. Escolhida como melhor jogadora do torneio pela Fifa, ganhando a bola de ouro. Também ganhou o troféu chuteira de ouro, por ser artilheira, com seis gols em cinco jogos. A capitã da seleção feminina estadunidense quebrou um recorde, pois aos 34 anos e dois dias de idade se tornou a jogadora mais velha a marcar um gol em final do torneio, superando Carli Lloyd, que marcou três gols na final de 2015, aos 32 anos e idade.

Crítica de Trump, a jogadora Megan Rapinoe ganhou a chuteira e bola de ouro da Copa do Mundo, no França (Foto Richard Heathcote/Getty Images)

- Marineth, o Trump vai ter que engolir a Rapinoe, que não se deixa intimidar. Ela não cantou o hino dos EUA ou colocou a mão no peito em nenhuma das partidas, em forma de protesto contra Trump e a federação de futebol. Após o jogo contra a Holanda, a jogadora disse que vai continuar a luta para conquistar a igualdade entre o futebol feminino e o masculino; “Vamos chegar ao próximo passo de como apoiar programas de futebol feminino pelo mundo. Todas as jogadoras, nessa Copa do Mundo, deram o mais incrível espetáculo. É hora de levar a conversa adiante”.

- Por outro lado, Athaliba, na nossa base, no palco do Maracanã, o presidente Bolsonaro, ao lado de filhos e de alguns ministros, como o ex-juiz Sérgio Moro, atual representante da Justiça e Segurança Pública; o general da reserva do Exército, Augusto Heleno Ribeiro Pereira, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; e Paulo Gudes, da Economia, foi vaiado e aplaudido pelo público no jogo final da Copa América entre as seleções do Brasil e do Peru. As vaias suplantaram os aplausos quando Bolsonaro entregou as medalhas aos jogadores, na cerimônia de encerramento da competição.

- Marineth, a arte, seja qual for sua modalidade, em todos os aspectos, está relacionada à essência do cotidiano na trajetória da humanidade, salvo, claro, na forma abstracionista e ou ficcionista. Nesse caso, o fundamento proveniente da espécie humana é a mola propulsora. Fico com a Rapione e com todos os artistas no mundo que agregam as habilidades às causas sociais. Com o nosso saudoso poeta Antônio Crispim não foi diferente. Entre seus poemas, “Os ombros suportam o mundo” revigora a essência natural da existência.

 

“Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

 

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação”.

 

*Lenin Novaes, jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o concurso nacional Poesias de jornalistas, homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som – MIS.

Lenin Novaes

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Crônicas do Athaliba

LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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