19,Jun
Coluna

OS FILHOS DO CAPITÃO

Rio - Quem se lembra de "Os Sobrinhos do Capitão"? 

Foi uma tirinha de quadrinhos criada pelo alemão, naturalizado norte-americano, Rudolph Dirks, em 1897, nos Estados Unidos e que fez muito sucesso no Brasil, distribuída pela United Features. 

"Os sobrinhos do Capitão" - que, ao contrário do que o título sugere, não é tio deles - viviam atazanando a vida de todo mundo. Ninguém escapava de suas diabruras, nem o próprio Capitão, que era o alvo preferido dos "doidinhos".

Não sei porque, lembrei da prole do presidente Jair Bolsonaro: Flávio, Carlos e Eduardo; ou, como o capitão gosta de se referir a eles, "Zero Um", "Zero Dois" e "Zero Três". 

Como "Os Sobrinhos do Capitão", os filhos do presidente, estão virando a vida e o governo do presidente de cabeça para baixo.

Afinal, quem governa o país? O capitão Bolsonaro ou "Zero Um", "Zero Dois" e "Zero Três"?

Divulgação

Qualquer brasileiro sabe que parte do desgaste politico da gestão de Bolsonaro é protagonizado por seus filhos, via wattsap e twitter. Não há dúvidas que os filhos do capitão põe o seu governo a perder.

Sem forças e desnorteada, a oposição não tem sido adversário à altura para o governo. 

Com o PT abatido por um tiro de canhão, com Lula na cadeia e os partidos de esquerda brigando com o "Centrão" para ver quem vai sair da festa com o maior pedaço do bolo, o governo deveria estar nadando de braçadas num mar de tranquilidade.

Mas parece que o esporte preferido do governo é o "Tiro no Pé". Bolsonaro e os filhos fabricam polêmicas em série, pessoalmente ou pelas redes sociais.

Principal dor de cabeça do presidente Jair Bolsonaro desde a sua eleição, em outubro, "Zero Um", o filho-senador, como se não bastassem as explicações que precisa dar sobre os depósito feitos pelo seu assessor, Fabrício Queiroz, em sua conta bancária, sempre que tem um tempinho, entra nas redes sociais e complica ainda mais a vida do capitão.

Apenas para citar as encrencas mais recentes, houve a crise que Bolsonaro criou com a declaração dada ao apoiar à abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém, provocando constrangimento entre Palestinos e Israelenses, que, como se sabe, vivem em paz no Brasil.

E como desgraça pouca é bobagem, ao ler uma nota de repúdio do grupo terrorista Hamas, as declarações do pai, 'Zero Um' escreveu no twitter: "Quero que vocês explodam". 

A declaração do "Zero Um", arrasta para dentro do governo brasileiro uma guerra entre palestinos e israelenses que está a milhares de quilômetros de distância do Brasil e  não é nossa. 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o "Zero Três", virou motivo de piada nas redes sociais ao comparar Paulo Freire e seu legado para a educação nacional a Olavo de Carvalho, escritor e guru do pai.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o "Zero Dois", também usou as redes sociais para jogar gasolina na fogueira do capitão; dessa vez, atacando o vice-presidente, Hamilton Mourão.

Por sua vez, Carlos Bolsonaro, o 'Zero Dois', o filho que o presidente chama carinhosamente de 'Meu Pitbull', ainda através das redes sociais, chamou o ministro Gustavo Bebiano de mentiroso. Ajudando o pai a fritar um ministro que tinha apenas 49 dias na pasta.

Dispostos a não deixar pedra sobre pedra, até a banda fardada do governo, que foi um dos pilares de apoio a candidatura do capitão, foi criticada pelo guru Olavo de Carvalho, e endossada pelos filhos.

A última, protagonizada pelos "meninos" foi a declaração de Eduardo, o "Zero Três" de que a proteção dos brasileiros dentro de suas casas, não é responsabilidade do governo.

Armados com seus potentes e coloridos smartfones, os filhos do capitão estão levando para o ralo o que resta da popularidade do governo. 


*Ediel Ribeiro é jornalista e escritor

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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