Coluna

O SURGIMENTO DOS AMORES

areia da praia
Foto: Nick Karvounis en Unsplash - 

Assim como a imaginação, os amores surgem de repente, aparecem em nossa memória, teimam em nos largar, nos perseguem, até que nós os coloquemos em formas de palavras, risos ou choros de desencanto.

Em cada canto de nossa imaginação desenhamos os amores, assim como a canção, o livro, o romance de verão, que finda como a chuva que cai em um repente pegando a todos, independentemente de situação social ou pessoal.

Amar é fugir; imaginar é sair da realidade. Eles se encontram fora de nós mesmos, em um além de nós, onde a linguagem e os sinais são diferentes e somente aquele que cria, somente aquele que vê o que não é real compreende.

Amores e imaginações são os brincalhões dentro de nossas mentes. São mentiras gostosas de se viver, sem compromisso, sem acordos, sem nada a perder, apenas seguir a trilha iluminada que num repente se descortina e cegos somente nós podemos vê-la.

Não procuramos dentro de nós mesmos a imaginação. Não procuramos dentro de ninguém o que a nossa imaginação nos permite visualizar. Ela nos acha em uma esquina perdida de uma página de um livro, em uma conversa difusa, em uma queda livre e confusa de sons, palavras e imagens.

Assim os amores que nós procuramos nos bares, nas festas, nos pequenos encontros de olhares fugazes, que se procuram com sofreguidão, e por mais que nos afastemos sempre chegarão até nós, vão se encontrar, novamente, no círculo vicioso do ímã sem controle do nosso coração.

Os amores nos acham, nos surpreendem, estão algumas vezes bem perto de nós, são insistentes, habitam nosso imaginário, porque são imaginários os benefícios, as pessoas que nós queremos amar.

Amar é fugir. É medo. É curiosidade. É experimento. Amar são quatro letras que guardam a profundidade e o mistério do mar. Águas calmas que encobrem um mundo desconhecido, feroz, tenaz, luta de sobrevivência.

Amar é a tormenta que nos encontra, dormindo na varanda, esquecidos no sofá. Ele está na música que ouvimos, nos olhos fechados, no sombrio ou no calor do outro. Amar é antes de tudo imaginar o que outro poderia ser para nós. É um sussurro diferente que ouvimos.

Nilson Lattari

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Crônicas e Contos

NILSON LATTARI é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br, vencedor duas vezes do Prêmio UFF de Literatura (2011 e 2014) e Prêmio Darcy Ribeiro (Ribeirão Preto 2014). Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romance no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em crônicas, contos e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. "Ambos levam ao infinito, porém, em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem se valer da imaginação para um universo inexato e sem explicação".

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