Coluna

A democracia está na berlinda?

cartaz democracia
Guilherme Santos / Sul21 - 

Viver em comunidade não é uma escolha humana e nem tão pouco uma tarefa fácil. O filósofo grego Aristóteles já afirmava que o ser humano é um animal político e isto significa, que devemos desenvolver a arte de viver coletivamente, requer renúncias, aprender a conviver com a diversidade e principalmente saber que às vezes é preciso ceder. 

Temos que reconhecer, que viver em sociedade é estar envolto por uma série de opiniões diversas, mas que somente algumas prevalecerão, mesmo que seja um determinado período de tempo. 

Assim, nos tempos antigos nascem os princípios do espírito democrático: que de forma bem simples pode ser entendido como o governo da vontade popular. O povo será ouvido, participante e dele sairá a tomada das decisões. Provavelmente, na atualidade o plebiscito seria o que mais se aproxima, de fato, do sentido democrático de decidir.

Claro que não podemos confundir a vontade da maioria como uma ditadura da maioria, senão geraríamos exclusão e segregação social. Mas tão pouco, em nome de uma organização, não podemos fingir que a decisão tomada por essa maioria não deva nortear decisões importantes. Pois sabemos que dificilmente acontece unanimidade de pensamento. E seria muito fácil elaborar um discurso que propaga, que cada um deva fazer tudo que quer e como quer. Pois isso agrada aos ouvidos, mas na realidade é possível? 

Portanto, na democracia devemos saber ganhar e também perder. Temos que ter ciência que nem tudo que acreditamos e queremos será viável e possível. Justamente porque, pode acontecer de a maioria das pessoas não comungarem ou concordarem com o pensamento apresentado. Nesta direção, as regras de convivência deveriam ser criadas e respeitadas.

Por isso, devemos pensar sempre: que democracia queremos? Será que realmente somos democráticos? Ou na nossa concepção só existe democracia quando a escolha que fazemos é a vitoriosa? E mais, seria justo atrelar a democracia quando acontece a aceitação e aplicação das nossas ideias? E quando somos votos vencidos ou nossas ideias não são aceitas? Saber aceitar a derrota não seria uma atitude democrática?  

Repito: que democracia queremos? Seria aquela na qual prevaleça somente nossas vontades? Seria aquela que não oportuniza e valoriza outras formas de pensamento? Seria aquela que só serve quando agrada e convém? Se suas respostas forem sim, provavelmente mora um ditador dentro de você. 

A democracia, sem sombra de dúvidas, é uma das conquistas mais importantes da humanidade. Em alguns lugares, como no nosso Brasil, ela ainda deve amadurecer muito. Mas mesmo assim, se está ruim com ela, com certeza ficaria muito pior sem. 

Nos cabe rever nossas atitudes e posturas e, de forma sincera e madura, perceber qual o grau de contribuição que estamos dando para que em nosso país a democracia aconteça em sua plenitude. Não basta querer a democracia é preciso ser democrático.

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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