Coluna

A banalização da Educação

Que rumos queremos para a educação brasileira? Que ela sirva apenas como uma forma de melhorar o ranking do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano) ou que sirva de fato para que as pessoas sejam melhores, sejam desenvolvidas e por consequência o país também.

A educação brasileira caminha a passos largos para a manutenção do abismo que a partir dela deveria se romper: que é a perpetuação do abismo social que nos encontramos há séculos. 

Parafraseando o pensamento de Hamilton Werneck, o Estado finge que oferece condições de estudo e as pessoas, na busca por diploma, fingem que aprendem. Tornando um ciclo vicioso do nada com coisa nenhuma. 

Pois é justamente isso que está acontecendo com a educação brasileira, um forte processo de banalização de tudo, como se a educação pudesse ser realizada de qualquer forma, de qualquer jeito, sem nenhum padrão razoavelmente descente de qualidade.  

Tenho visto propagandas de cursos superiores com 6 meses de duração, cursos de pós-graduação em 3 meses, sem mencionar aqui uma série de exigências que aos poucos foram sendo deixadas de fora de vários currículos, como por exemplo a necessidade da monografia de conclusão de curso. 

Querendo oferecer uma falsa facilidade, aos poucos os gestores da educação brasileira estão perdendo o rumo do processo, ou daquilo que deveria ser a espinha dorsal da educação: alavancar melhorias para a população, através de pesquisa, ensino e extensão.

Digo falsa facilidade no tocante de ser uma educação que engana, pois da forma que é realizada não leva a pessoa a lugar nenhum. Pelo contrário cria uma massa de analfabetos funcionais e diplomados. O que percebemos é que muitas instituições acabam, para sobreviverem, entrando nesse mundo do “faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que aprende”.

Não é intenção desse texto entrar no mérito da popularização da educação, pois isso nem deveria ser discutido, pois TODOS deveriam ter acesso ao mundo acadêmico. Mas sim, provocar uma reflexão sobre a qualidade da educação brasileira, ou seria mais oportuno afirmar a falta de qualidade dela. 

Que o MEC (Ministério da Educação e Cultura) em conjunto com as Secretarias Estaduais de Educação reveja seus planos e propósitos para a Educação Brasileira. As normas para a criação, duração e manutenção dos cursos, mas de forma séria, que realmente favoreça a qualidade do ensino. 

O contrário nos mostra apenas que estamos desperdiçando recursos públicos e criando uma grande mentira, que se verifica a cada ano nos indicadores da escolaridade do povo brasileiro. Podemos até estar nos tornando escolarizados, mas longe, muito longe, de sermos academicamente preparados para o pleno exercício da profissão escolhida. 

Uma educação banalizada acabará num futuro bem próximo criando uma percepção que educação não vale nada, que é um gasto desnecessário, pois a grande maioria que passou por ela continuou no mesmo lugar.

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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