Coluna

A República e sua eterna crise institucional

Nos últimos meses tenho tentado escrever menos sobre política, um tema que gosto muito, bem como sei o tamanho da sua importância para a vida em sociedade. Todavia, na mesma proporção, falar de política tem sido motivo de angústia, parece que vivemos uma eterna política da depressão, todos os dias, como uma avalanche, somos entupidos por notícias negativas.

Desde que me entendo por gente, e já faz um bom tempo, praticamente as notícias são sempre as mesmas, todo dia a mesma coisa, sempre aparece uma atrapalhada de algum político. E de atrapalhada em atrapalhada mantemos o caos social que se manifesta na desigualdade social, na saúde precária, nos diplomas vazios de conhecimento, na fome, na miséria em que vivem milhões de brasileiros, e porque não dizer, no requinte de crueldade que se faz presente na morte lenta e gradual de tantos de nós, que nunca saberá de fato o que é viver com o mínimo de dignidade.

No Brasil, de modo particular, nossos trapalhões possuem torcida organizada, seja qual for a notícia, no mesmo instante as redes sociais tornam-se uma torre de babel, aparecem os defensores, armados de argumentos até os dentes e na mesma medida aqueles com as mãos repletas de pedras.

Só que nesse jogo muda-se de posição numa velocidade alucinante. O fato pode ser o mesmo, mas dependendo de quem o fez o veremos como certo ou errado. Portanto, o que pouco interessa é o acontecido, mas sim quem o fez. 

No meio dessa loucura ideológica, dessa desordem institucional, os argumentos parecem perder força, na verdade já não encontram mais espaços. A República agoniza e pelo que se percebe a regra do jogo é: quem será o próximo a conquistar o poder. Bem ao estilo Maquiavel, em que pouco importa o que se faz para conquistar e manter-se no poder. 

Como já disse, desde que me entendo por gente, fala-se em crime do colarinho branco, em peculato, em corrupção, em caça aos marajás, em obras malfeitas, em descaso com o dinheiro público, em venda de sentença, em formação de quadrilha, em compra de voto, em vazamento de informações, enfim, são sempre as mesmas coisas, que simplesmente mostram a eterna crise institucional que se perpetua no Brasil.

Assim, as décadas vão passando e entre suspiros, que nos levam a acreditar que “agora vai”, continuamos lidando com os mesmos problemas e assistindo inertes a tudo, como diria Zé Geraldo, “tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos” e completo com as palavras do eterno Raul “com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. 

Isso é o Brasil, pelo visto não há espaço para quem quer fazer o que deve ser feito. Aqui o segredo é a bagunça, a sorte é que os bagunceiros conquistaram um monte de gente que vibram com os seus feitos e os defendem com unhas e dentes. Enquanto isso o povo que se lasque!

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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