20,Feb
Coluna

MAYRINK

O jornalista e cartunista Mayrink é um dos melhores caras que conheço no meio. 

Quando nos conhecemos, nos anos 90, numa das muitas idas e vindas que fiz a Ilha Grande, por conta de uma Mostra de Humor Ecológico, realizada, na Ilha do Abraão, pelo cartunista e amigo, Ferreth, logo ficamos amigos.

Naquela época - lá se vão quase 30 anos - os bares da Ilha fechavam cedo. Poucos eram os que ficam abertos até tarde. Eu, ele, Ykenga e Ferreth fechávamos todos eles.

Todos nós falava muito, ele, só ouvia. 

Mas depois de algumas cervejas, falava pelos cotovelos. Contava muitas histórias dele e dos seus colegas. 

Uma delas: As viagens que fez ao Rio a procura do cartunista Ziraldo. 

Nos anos 60, ainda menino, veio para o Rio de Janeiro procurar o Ziraldo que fazia o Saci Pererê na “O Cruzeiro”, revista de muito sucesso, na época que funcionava ali na Saúde (bairro do Rio de Janeiro), numa casa com uma sala pequenininha. Quando chegou lá, ele já não estava mais na revista. Voltou para Minas.

Foto: Guidacci, Ediel e Mayrink (arquivo do autor)

Tempos depois voltou pro Rio e foi procurar ele na extinta TV Rio, alí no Posto 6, em Copacabana. E quando chegou lá, adivinha?… Ziraldo não estava mais lá.

Mais tarde, foi procurá-lo na revista “Visão”, onde ele era diretor de arte, quando finalmente, o encontrou e ganhou a chance de trabalhar com o mestre.

Outra dele: No auge da Ditadura Militar, publicou uma charge no “Correio da Manhã” em que eu fazia uma crítica a Polícia Militar, que, naquela época, perseguiu, prendeu, torturou e executou centenas de brasileiros, muitos deles estudantes. Anos 60. A charge era um garoto, um estudante com um estilingue no bolso, cercado por policiais militares que gritavam: “Cuidado que ele é perigoso!”. Por causa dessa charge, o “Correio da Manhã” teve sua edição apreendida. 

Mayrink é mineiro, de uma cidadezinha chamada Jequeri (Município do estado de Minas Gerais – a 220 km da capital). Ainda criança, foi morar em Caratinga, onde com 7 anos começou a desenhar.

Em 1964 veio para o Rio de Janeiro tentar a vida como cartunista.

Começou a trabalhar na “Visão” como assistente de arte. Em 1967, levado pelo Ziraldo, foi pro “Jornal dos Sports” fazer um suplemento humorístico chamado “Cartum JS” e lá se lançou como cartunista profissional. 

Do “Jornal dos Sports” publicou no “Jornal do Brasil”, “Correio da Manhã”, “Última Hora”, “Diário Comércio & Indústria”, “Jornal da Tarde” (SP) e nas revistas “Visão”, “Senhor” e “Tendência”. Também foi colaborador do “O Pasquim” e do “Cartoonist & Writers Syndicate”, dos Estados Unidos.

Tinha fortes influências de um cartunista argentino chamado Copi (Copi -1939-1987 – cartunista e dramaturgo argentino radicado em Paris. Exilou-se na França em 1962, depois do golpe militar na Argentina). 

Copi fazia uns bonecos muito narigudos. Os seus, tinham o nariz menor que os dele. Depois, foi mudando, mas a influência do nariz do argentino ficou.

Morou um tempo na União Soviética onde publicou na “Krokodil” (revista satírica fundada em 1922, e que tinha o nome inspirado num conto satírico de Fyodor Dostoyevsky, O Crocodilo). Muitos artistas e intelectuais notáveis contribuíram para a revista, incluindo Vladimir Mayakovsky , Kukriniksy e Yuliy Ganf .

Nos anos 80 publicou o livro Quebra-nós

Publicou, também, 365 Dias de Humor (1994) e organizou o livro Dez + Dez – A Natureza se Defende (1992), com a participação de cartunistas russos e brasileiros.

Teve uma experiência como editor. Chegou publicar um jornalzinho de humor na Região dos Lagos chamado “Humor dos Lagos” onde publicou Guidacci, Ziraldo, Jaguar, Amorim, Lute e Biratan, entre outros.

O jornal teve vida curta. Foram só três edições.

Mayrink criou recentemente um coletivo chamado “Humor na Praça”. Um grupo de cartunistas que ele levou para expor seus trabalhos numa praça, no centro de Búzios, na Região do Lagos. 

“Humor na Praça”, posteriormente, virou um jornalzinho que também teve vida curta. 

Inquieto, junto com Nani, Amorim, Ykenga, Luis Pimentel, Rogério e Magon criou, recentemente, um tabloíde de humor chamado “ Mais Humor” . 

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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