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AGNER E O PLANETA DIÁRIO

Rio - O carioca adora rir e é apaixonado por futebol. 

No Rio, um veículo unia essas duas paixões. Era o “Jornal dos Sports”. Conhecido pelos leitores como o JS ou o cor-de-rosa.

O “Jornal dos Sports” foi um diário de notícias esportivas criado pelo jornalista Argemiro Bulcão, em 13 de março de 1931.

Teve sua época áurea sob o comando do jornalista Mário Filho, irmão do escritor Nelson Rodrigues.

À frente do jornal, Mário Filho promoveu uma série de inovações.

Nos anos 40, introduziu tiras e quadrinhos como forma de ilustrar a participação dos clubes no Campeonato Carioca.

Foi no "Jornal dos Sports" que Henfil criou personagens que se tornaram mascotes das torcidas, como o Urubu (substituindo o marinheiro Popeye, como símbolo do Flamengo) e o Bacalhau (do Vasco da Gama, no lugar do almirante português).

Agner (à direita) substituiu Nani no Jornal dos Sports. (divulgação)

Em 1967, o jornal passou por grandes mudanças. Em uma delas, Ziraldo criou um caderno de humor chamado “Cartum JS”. O neologismo “cartum” aparecia pela primeira vez num jornal diário de grandes circulação. 

A lista dos colaboradores incluía, além do Henfil, os cartunistas Otélo Caçador, Mendez, Ziraldo, Fortuna, Jaguar, Daniel Azulay, Juarez Machado, Miguel Paiva, Nani e Agner, entre outros.

O cartunista carioca Luiz Agner foi um dos últimos. Mas, nem por isso, menos importante. Colaborou com o jornal durante muito anos. 

Luiz Carlos Agner Caldas nasceu no Rio de Janeiro em 1959. Começou a desenhar profissionalmente, a convite do cartunista Ziraldo, aos 16 anos, no semanário alternativo “O Pasquim”. 

Estudou na Escola de Desenho Industrial (ESDI). Publicou seus cartuns no “Jornal do Brasil”, “Jornal dos Sports”, “Rede Globo”, “SBT” e “TV Manchete”. 

Foi premiado no I Salão Carioca de Humor. Participou de diversas exposições no gênero dentro e fora do país.

Já conhecia o Agner, através do seu trabalho no “Jornal dos Sports”. Me encantava com seu humor fácil e personagens de perninhas curtas e narizes longos. 

Nos encontramos em 2008, na praia do Leme, no quarto “Encontro de Cartunistas” promovido pelos amigos cartunistas Ferreth e Carlos Amorim. 

No "O Pasquim", em meio a censura e o tiroteio do antiestablishment, criou, junto com Hubert Aranha e Cláudio Paiva, o personagem Avelar, o general que não aderiu ao golpe - um militar linha dura que em casa apanhava da mulher.

O personagem teve vida curta.

Em 1982, lançou o livro “As Charges da Copa”, com caricaturas de todos os jogadores da Copa da Espanha.

(divulgação)

Na Internet, criou um site de charges intitulado “Cartum Netiuorque”, aberto à colaboração de  outros cartunistas. 

Agner dava aos fãs das HQs a oportunidade de desenhar suas charges e veiculá-las na rede mundial. Os internautas mandavam charges prontas, ou idéias de charges. Agner as desenhava e as colocava na rede.

No “O Pasquim”, Agner conheceu Reinaldo Figueiredo (na época editor do semanário), Hubert Aranha, com quem fez histórias em quadrinhos e Cláudio Paiva. 

Os quatro - Reinaldo, Cláudio Paiva, Hubert e Agner - , lá mesmo no “O Pasquim”, começaram a trabalhar no projeto de fazer um jornal independente. Fora do Pasquim. Um jornal só deles.

Aí veio a idéia: fazer o “Planeta Diário”, jornal onde o jornalista Clark Kent - o Super-Homem - trabalha.

O jornal, que parodiava o diário editado pelo velho e lendário jornalista Perry White, era um tablóide de ficção, mas com notícias do dia-a-dia tupiniquim.

A redação funcionava na casa do Cláudio Paiva que, assim como Hubert e Reinaldo tinha acabado de casar.

O quarteto fazia todo o jornal. Escreviam, diagramavam, ilustravam. “O Planeta Diário” foi um negócio que deu certo. O tablóide chegou a vender quase cem mil exemplares.

Mas chegou uma hora em que Agner, que trabalhava no “Jornal dos Sports” e fazia Desenho Industrial, teve que sair. Ficaram só os três. 

O “Planeta Diário” lançou sua última edição - de número 84 - em julho de 1992.

Luiz Agner hoje trabalha com desenho industrial e dá aulas no Departamento de Publicidade da Facha. 

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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