21,Oct
Coluna

O “miserê” no país dos miseráveis

Podemos medir o nível de pobreza e miséria sob o aspecto monetário, que significa a falta de recursos para a manutenção da própria existência; assim como pelo aspecto emocional, afetivo, intelectual e de valores humanos, que pode ser firmemente exemplificado pelo ditado popular: “tem gente que é tão pobre que só tem dinheiro no bolso”. 

No Brasil presenciamos literalmente os dois aspectos. Somos uma nação rica, que há anos figura entre as dez maiores economias do mundo, mas que não reflete a realidade do seu povo, somos um país rico com uma alta concentração de população pobre e carente, demonstrando uma forte desigualdade social e a existência de milhões de excluídos. Nossa riqueza da forma como é dominada e gerida perpetua a miséria, a desigualdade e os baixíssimos níveis de qualidade de vida.

Por outro lado, entre os abastados, comumente verificamos a miséria do seu lado mais perverso e em muitos casos desumano, pois estas pessoas que possuem dinheiro no bolso simplesmente perderam seu poder de indignação, acham que podem tudo, pensam ser os donos do mundo, vivem nos porões do malfeito, aproveitam da miséria alheia e aparentam ser os bons mocinhos, na verdade tornaram-se miseráveis da alma.

O caso emblemático, entre tantos outros, foi o exposto por um procurador do Ministério Público/MG ao afirmar em alto e bom tom que seu salário é sinônimo de “miserê”, que com o que ganha está impossível viver dignamente. Sinceramente, em que país este senhor pensa que vive? Pelo visto encaixa-se perfeitamente no ditado popular já exposto. 

Não é intenção deste artigo discutir o salário da categoria e nem tão pouco se ele é justo ou não. O fato que causa indignação é a falta de sensibilidade e de espírito republicano, demonstrado por este cidadão que se diz servidor público. Não sejamos ingênuos, o que ele expressou representa uma parcela considerável de tantos outros nas mais diversas áreas públicas ou não, pois o que não falta no Brasil é pobre com dinheiro no bolso.

Assim vivemos, uma nação de miseráveis e “miserês”. Uma nação de pobres no seu mais amplo sentido. Um país que possui uma alta concentração de gente com a lata vazia, que vive a pior face da miséria humana e do outro lado um número significativo de gente de mente vazia, que vive com o “miserê”, sendo que são estes que estão e vivem com o poder nas mãos. 

Desta forma fica fácil entender porque não saímos da lama social na qual nos encontramos, no país dominado e controlado pelos “miserês”, os miseráveis que morram à míngua, pois não representam nada no pensamento daqueles que só querem se tornar indiferentes a tudo e a todos. 
O triste da desigualdade é acreditar que ela é algo normal. Enfim, alguém disse: “toda a ambição é legítima, salvo as que se erguem sobre as misérias e as crendices da humanidade..”

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, é Graduado em História pelo Centro Universitário Assunção (1999). Especialização (Lato sensu) em Ciências do Ambiente pelo Centro Universitário de Caratinga (2002) e Maçonologia: História e Filosofia (2018) pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER). Mestrado em Meio Ambiente e Sustentabilidade pelo Centro Universitário de Caratinga (2005). Desde 2002 é professor do Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Colunista semanal dos Jornais: Diário de Caratinga e Roraima Em Tempo (Boa Vista/RR). Esporadicamente seus artigos são publicados em vários jornais diários do país, entre eles: Estado de Minas; Diário Popular; Diário do Rio Doce. Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica. Atualmente está cursando o Doutorado em Geografia - Tratamento da Informação Espacial pelo Dinter PUC-Minas/UNEC.

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