Coluna

JOEL TEIXEIRA, UM SORRISO AMIGO

 

Rio - Conheci Joel Teixeira nos anos 80, tempo em que ele frequentava as rodas de samba do subúrbio cantando seus sucessos "Mané Carvoeiro", "Jura", "Amanheceu" e "Pagode do Cumpadre", entre outros.

Bebemos muito nas noites do Rio. Eu e a Irene, porque Joel não bebia. Mas cantava muito.
 
Voltavamos dos pagodes de  madrugada. Ele vinha dirigindo e dormia no sofá da nossa sala.
 
Joel era divertido. Frasista, tinha sempre uma frase de efeito na ponta da língua. O negão (tempo bom em que a gente podia chamar o afrodescendente de negão sem ser processado), sempre que encontrava um amigo da raça, mandava: "Odeio crioulo!". Outra dele: Quem tá na frente, tá na frente".
 
Joel nasceu em Campos, no dia 3 de maio de 1948.  Foi criado em rodas de jongo que a mãe promovia no quintal da casa em Ururaí, e, antes de chegar ao radio, cantou em circos e em parques de diversões.
 
Com apenas 17 anos se apresentou no programa de Herval Manhães, na Radio Campista. No mesmo ano, certo de que queria ser cantor, fugiu para o Rio de Janeiro numa carona de caminhão. 
 
Na chegada ao Rio, com a música "Opinião" de Zé Kéti, se inscreveu no "Programa do Chacrinha" - então na TV Excelsior do Rio de Janeiro - ; no programa "Na onda do Jair", do Jair de Taumaturgo, na TV Rio; e em "A grande Chance", de Flávio Cavalcante, na TV Tupi.
 
Nos anos 70, o  sucesso eram as rádios AM´s. Estavam "na crista da onda", as Rádios Tupy, Globo, Nacional e Mundial, entre outras.  E, graças ao alcance dessas rádios, Joel ficou conhecido no Brasil todo.
 
As rádios FM´s só surgiram no final dos anos 60. A primeira foi a 98 FM, criada em 1969, mas a febre das FM´s só começou mesmo a partir da fundação da Rádio Cidade, que operava em 102,0MHz, em maio de 1977 e logo virou mania entre os jovens.
 
Ainda na década de 1970, Joel Teixeira participou do Pau de Sebo (LP coletivo) "Só Entra Quem Sabe", no qual interpretou "Bom dia amor". Do disco, também participaram Beth Carvalho, Jurema, Totonho, Jorginho do Império, Rubens da Mangueira, Dicró, e Mano Décio da Viola, entre outros.
 
O sucesso era tão grande que Joel chegou a fazer turnê até no Japão.
 
Na passagem de ano de 2000 para 2001 apresentou-se em show na Praia de Ramos, juntamente com o grupo Café Pequeno, Fátima Balbi, Dhema e grupo Gente Nossa.
 
Em 2002 ao lado de Agnaldo Timóteo e outros grandes cantores,  participou da coletânea "Casa do compositor musical". 
 
Em 2003 lançou o CD "Luz do samba", no qual contou com as participações especiais de Beth Carvalho, Pique Novo e Grupo Mestiço.
 
Joel Teixeira, participou em 1989, do projeto "Samba Sim Sinhô", show dirigido por Paulo Moura, que foi lançado em 1990, no Clube do Remo, em Belém do Pará, e percorreu várias cidades brasileiras.
 
A pesquisa e escolha do repertório foram feitas por Ricardo Cravo Albim. O show virou disco e foi gravado em 1992, com  a participação de Zezé Motta na faixa Não quero saber mais dela". 
 
Relançado em julho de 1999, no Asa Branca, para ser mostrado também em todo o Estado do Rio, o show foi remodelado pelo novo diretor Adelzon Alves e pelo cavaquinista Wagner do Cavaco, autor de novos arranjos." 
 
Joel Teixeira morreu vítima de câncer, em 28 de abril de 2004, no Rio de Janeiro.
 
* Ediel é jornalista e escritor

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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