Coluna

Natal sem o Papai Noel

decoração d e natal
Monicore / Pixabay. 

Indiscutivelmente 2020 foi um ano diferente, foi um ano que propôs a união dos diferentes, mesmo que ainda não tenha conseguido o sucesso que se esperava, foi um ano que mostrou que mesmo em meio a tanta diferença, social, religiosa, política, ideológica, dependendo das circunstâncias, todos nós somos iguais, e o COVID está aí para servir como prova.

Ninguém, acredito eu, imagina viver um ano assim. Um ano atípico, um ano que nos dá a sensação que não começou. Mas que indelevelmente deixará profundas marcas em milhares de famílias, que se manifestará na saudade, na dor da ausência, nas eternas lembranças. 

Dizer que foi um ano perdido, acredito que não seja o caso, pois descobrimos novas facetas que somente um ano assim poderia fomentar. Um ano que foi possível mergulhar em nós mesmos, enfrentar limites de convivência, dentro dos próprios lares, algo que até então nunca havia sido proporcionado, pois nunca vivemos tantos dias juntos, dividindo, dia após dia, o próprio aconchego da casa, que deixou de ser o lugar de descanso e aconchego familiar, para se tornar também o ambiente de trabalho para centenas de pessoas. 

O espaço da nossa casa que até então era privativo, ganhou o mundo pelas diversas câmeras e microfones. O horário de trabalho tornou-se infinito, domingo e segunda, já não faz tanta diferença assim. 

Muitos aprenderam a pintar, cozinhar, arrumar a casa, tocar algum instrumento musical, fazer um doce, escrever, ler, aprimorar-se em várias técnicas, mas o que esse ano mais nos convidou foi para que tornássemos mais humanos, que conseguíssemos ver o outro com um olhar de empatia. O tempo dirá se aprendemos essa lição! 

Mas, você que está lendo esse artigo deve estar se perguntando, o que isso que li até agora tem a ver com o Natal sem Papai Noel? Digo-lhe que tudo! Desse cenário resultará o natal diferente de todos os outros, o natal sem o Papai Noel. Quem sabe, a vida não esteja querendo nos ensinar mais uma lição.

E que lição seria essa? Voltar o olhar para a verdadeira essência do Natal, que quer fazer morada na manjedoura do nosso coração. E dele nascer tudo aquilo de bom que o ser humano possa vir a oferecer aos seus pares: compaixão, amor ao próximo, senso de justiça, caridade, empatia, zelo, caráter, sensibilidade para com o outro, enfim, tudo aquilo que deveríamos aprender sempre com o MAIOR de todos, e que, incansavelmente, todo ano insiste em fazer morada em nós, através do seu simbólico natalício. Pensemos nisso com carinho! 

Como esse é o último artigo do ano aproveito para agradecer a todos que dedicaram em 2020 alguns minutos para ler meus textos. Desejo um Feliz Natal e que o 2021 seja repleto de paz e saúde!

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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