Coluna

Peneira eleitoral

Escolher nem sempre é uma tarefa fácil, pois da escolha comumente vem a renúncia de alguma coisa, portanto, é preciso abrir mão de algo e em contrapartida ter a convicção de que o escolhido passou pelo crivo da consciência. 

Estamos vivendo um momento eleitoral, em que o ato de escolher, entre inúmeros candidatos aos cargos públicos torna-se a nossa forma de participação no processo. Pessoas colocaram seus nomes a disposição da comunidade e agora cabe a essa comunidade escolher quem a representará pelos próximos quatro anos.

É claro que ninguém possui uma estrela na testa como sendo um sinal de merecedor da confiança do eleitor e por consequência do seu voto. Muito pelo contrário, o que se percebe a cada pleito eleitoral, são os piores lobos se vestirem como cordeirinhos, de tal forma que conseguem enganar perfeitamente. 

Estranho, mas comumente a honestidade e a franqueza costumam afastar as pessoas, inclusive os eleitores. Por isso a mentira ganha tanta força, assim quem mente mais e melhor, provavelmente terá maiores chances. Triste realidade, mas real. Resumindo: as pessoas, por mais que digam que não, ainda gostam de ser enganadas, de não ouvir o que precisa, mas o que “adoça” aos ouvidos. E é justamente aí, no que as pessoas querem ouvir, que entram os marqueteiros de campanha, como lobos vorazes e astutos, na arte de persuadir e ludibriar, na construção de falácias mirabolantes, mas que engam direitinho e de forma eficaz. 

No meio de todo esse jogo eleitoral, está o eleitor a procura do seu candidato. O ideal seria se pudéssemos coloca-los em peneiras, e a cada peneirada fossemos diminuindo a espessura dos buracos da peneira, até que sobrasse aquele e/ou aqueles com condições de assumirem de fato tamanha responsabilidade em administrar as coisas públicas.

Cada peneira poderia ter seus próprios critérios, sendo respectivamente a peneira: do equilíbrio emocional; da ficha limpa de fato; do caráter reconhecido socialmente; de como convive em família e entre amigos, se abandonou filhos, cônjuge, pais...; de como organiza sua própria vida, pois há pessoas que não conseguem administrar sequer seu próprio salário ou bens; se não há envolvimento em falcatruas de repercussão na sociedade; se é uma pessoa proativa; poderia existir a peneira da honestidade, pois dever é uma coisa, viver sendo um mal pagador é outra; hombridade; espírito republicano... enfim, muitos são os critérios reais, práticos e presentes na história de vida do candidato que podem ser verificados na hora da escolha de uma dessas pessoas. E mesmo assim, corremos o risco! 

Nossa democracia vem amadurecendo, entretanto, nem sempre acertamos na escolha! Todavia, não podemos deixar de tentar escolher. Se não temos o candidato dos nossos sonhos que consigamos escolher o menos pior (infelizmente). O que não é aceitável é votar em qualquer um. Pois uma grande parte dos candidatos provavelmente não passaria na primeira peneirada. Agora chegou a nossa vez, vamos escolher!
 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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