Coluna

UM IDIOTA NO BANCO MUNDIAL

 

Foto: Marcelo Camargo

Rio de Janeiro - O presidente Bolsonaro, ofereceu a ex-secretaria de Cultura, Regina Duarte, como prêmio de consolação, uma diretoria na Cinemateca Brasileira, cargo que nunca existiu.

Virou "meme" e motivo de chacota.

Dessa vez, Bolsonaro ofereceu uma diretoria executiva no Banco Mundial, nos EUA, ao seu ex-ministro Abraham Wajntraub, que acabou de ser exonerado do governo e está respondendo a processo por racismo.

Não faz muito tempo, Bolsonaro havia oferecido ao deputado Federal Eduardo Bolsonaro - seu filho, Zero Dois - que é investigado na chamada CPMI das Fake News, o posto de Embaixador do Brasil, nos Estados Unidos.

Se a coisa continuar assim, daqui a algum tempo, os principais postos de relevância para o governo, nos EUA, será composto unicamente por investigados e foragidos da justiça.

No entanto, candidatar-se a diretor-executivo do Banco Mundial, nos Estados Unidos, não é tão fácil quanto parece. 

Após a indicação do Ministro da Economia, Paulo Guedes, o indicado é avaliado pelos membros do grupo de diretores do Banco Mundial, composto pelos países da América Latina e Caribe.

Existem requisitos a serem preenchidos pelos diretores executivos, dentre eles o inglês fluente, conhecimento em economia e estar alinhado com as políticas multilateralistas na luta contra a pobreza.

Tudo o que Wajntraub não é.

Apesar disso, Abraham Wajntraub conseguiu entrar na sede do Banco, em Washington.

Apesar de não estar lá, posso imaginar a seguinte cena:

Uma sala de reuniões grande com os diretores do Banco Mundial, analisando as fichas dos candidatos. Ouve-se uma tímida batida na porta. “Entre”, grita um dos diretores.

Entra, o ex-ministro Wajntraub, mordendo nervosamente os lábios. Os diretores o examinam durante quase cinco minutos.

- Posso sentar? - pergunta o ex-ministro.

- Sim, claro. O senhor, quem é? - quis saber um dos diretores.

- Sou Abraham Wajntraub. Vim pela vaga de diretor-executivo  do Banco Mundial. Foi o presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, amigo do Presidente Trump, quem me mandou.

- Sei, aquele que queria enfiar na Embaixada Brasileira um rapazinho cujo currículo se resumia a ter fritado hamburger aqui nos EUA?

- Bem, é…

- Teremos todo o prazer de aprovar a sua candidatura ao Banco Mundial, mas, antes, precisamos que responda a algumas perguntas. A primeira é: Qual a sua experiência?

- Eu fui caixa no Banco Votorantim. Um grande banco brasileiro, sabia?

- Hã, hã! - resmungou o diretor. - Seu inglês é fluente?

- Fluente, não. Sou fluente mesmo em português. Em português eu "distróio". Mas sei agradecer, dizer 'sim senhor' e pedir por favor, direitinho, na sua língua.

- Hã!! Aqui na sua ficha diz que o senhor tropeça em algumas palavras; troca o “s” por “ç” e frequentemente erra ao conjugar alguns verbos.

- O senhor sabe, a língua “brasileira” é cheia de armadilhas - justificou.

- O senhor disse que foi Ministro da Educação do Brasil, certo?

- Yes - caprichou.

- O que o senhor fez pela Educação do seu país?

- Bem, o senhor diz fazer, fazendo, assim…- gaguejou.

- Sim? O que o senhor fez durante o tempo em que foi Ministro da Educação?

O ex-ministro baixou a cabeça e ficou olhando para as mão suadas, como se estivesse procurando uma “cola”.

-Bem, eu mandei acabar com o “kit-gay” nas escolas; mandei reescreverem os livros de história, porque tinha muita coisa escrita; mandei apagarem o nome do Paulo Freire da educação; mandei acabar com as universidades públicas que eram antros de comunistas; acabei com as cotas para negros, indígenas e deficientes e, por último, mandei trocar o nome dos “Brizolões” por “Bozolões”.

- E de útil, o senhor fez alguma coisa?

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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