Coluna

O FIM ESTÁ PRÓXIMO

Arte: Nani

Rio - Acreditem se quiserem, o governo Bolsonaro está chegando ao fim. 

Governo sem crise, todos sabem, não existe. Mas Jair Bolsonaro tem exagerado.

Porém, nem mesmo o mais radical dos críticos petistas,  poderia imaginar que isso aconteceria em menos de seis meses.

Bolsonaro se elegeu como a solução para o fim da corrupção. Um caçador de comunistas, enviado dos céus para acabar com os desmandos da esquerda. 

Sapateando por cima dos cadáveres do Lula e do Partido dos Trabalhadores. Mas, cinco meses depois, já está sendo acusado de ser uma cópia fardada do PT.

Com o fim dos malfadados governos Lula, Dilma e Temer, tudo que o Brasil mais  precisava era de um novo presidente, inteligente, agregador, contemporizador, apaziguador, pacificador, conciliador, mediador e moderador.

Tudo o que o rude capitão não é.

A gente até torce, mas ele mesmo não se ajuda. Colocou no Ministério da Educação um espanhol. Trocou, três meses depois, por um economista. 

No novo Ministério da Mulher, uma evangélica que vive brigando com os personagens das HQs; Na Casa Civil, um veterinário; e, agora, pasmem, ameaça indicar um evangélico para o STF.

É uma sucessão de amadorismos e trapalhadas de fazer inveja à Damares Alves.

Embora não se fale disso, Paulo Guedes anda muito preocupado com a forma como Bolsonaro vem conduzindo as políticas do seu governo. 

Ele disse:

- Presidente, estamos muito preocupados com o tratamento que o senhor tem dispensado ao Congresso Nacional. 

A convocação dos manifestantes para irem às ruas criticar o Congresso, os ataques às universidades e as críticas ao penteado do Rodrigo Maia, pegaram mal entre os congressistas.

-  Mas, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal estão cheios

de petistas radicais - disse ele. 

-  Eu sei, mas nós temos que fingir que gostamos deles. Pelo menos até conseguirmos os 308 votos para aprovar a Reforma da Previdência.

- A culpa é de vocês! Eu disse que não queria ser presidente. Como você sabe, eu era, desde o começo, contra a idéia da candidatura. 

Eu estava muito bem lá no baixo clero. 27 anos ganhando meu dinheirinho sem fazer nada. Nunca apresentei um projeto de relevância. Ninguém me cobrava nada. Eu tinha cafezinho de graça e podia até cochilar nas sessões da câmara. 

Empreguei minha mulher, os filhos, os parentes, os amigos. Tava indo tudo bem. Ninguém se preocupava com a minha vida.

Hoje, estão vasculhando minha vida, a vida da minha mulher e dos meus filhos. Outro dia, vi um sujeito do Coaf revirando a minha lata de lixo. 

Estão até implicando porque o Flávio recebeu uns depósitos do Queiroz - mixaria - e ganhou um dinheirinho no mercado imobiliário, entende?

Eu sei que sou um enviado dos céus para resolver os problemas brasileiros, mas eu não nasci para ser Presidente, Guedes. 

Estão querendo até que eu trabalhe. Trabalhar é coisa pra pobre.

A presidência é uma prisão. Me sinto em prisão domiciliar, sem tornozeleira eletrônica, no Palácio da Alvorada. Não dá nem pra ir a praia.

-  Presidente, se as mudanças da Previdência não forem aprovadas, até nós, os ricos, teremos que trabalhar.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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