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Home Colunas

Império exalta Arlindo Cruz

Por Lenin Novaes
5 de outubro de 2022 - 10:18
em Colunas

Arlindo Cruz na arte do enredo da Império Serrano para o Carnaval de 2023. (Divulgação)

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– Athaliba, a Império Serrano exaltará Arlindo Cruz tendo o desafio de fixar-se, uma vez por todas, no grupo de elite das escolas de samba, em 2023. Exibirá Lugares de Arlindo, desfilando pela trajetória da obra de Arlindo Domingos da Cruz Filho, um de seus consagrados componentes e destacado artista da cultura popular brasileira. A agremiação carnavalesca não pode perder de vista que, há décadas, rodou como ioiô, pião sarapa, descendo e subindo a ladeira nos grupos predominantes da escala de acesso e principal do Carnaval carioca. Ou seja: 1ª e 2ª divisão.

– Entendo a sua preocupação, Marineth. Afinal, a escola tem forte tradição e é a quarta em preferência do público nacional, atrás da Portela, Mangueira e Salgueiro. No entanto, o que não é visível à opinião pública, é que a disputa surda pela supremacia da direção da escola entre distintos feudos familiares tem prejudicado a agremiação. E creio que os descendentes dos fundadores deveriam depurar essa crise interna numa conferência. Pois não é aceitável que uma das escolas mais representativa do nosso puro patrimônio cultural seja alvo da chacota de ioiô.

– Athaliba, sem estender a questão, pois importante é falar do enredo da escola, penso que a missão de resolver os atritos entre os núcleos influentes cabe à Rachel Valença. Ela é admirada e respeitada pela dedicação à verde-e-branco de Madureira, fundada em 23 de março de 1947, consequência de dissidência na Prazer da Serrinha. O nome Império Serrano foi sugerido por Sebastião Molequinho, tem o símbolo da coroa imperial brasileira e, como padroeiro, o santo São Jorge. A Portela seria a madrinha e o batizado não ocorreu. Pois a “afilhada” foi campeã em 1948 e desbancou a sequência de sete vitórias da Portela. Daí surgiu ferrenha rivalidade entre as duas agremiações que habitam quadra de ensaio em Madureira, chamada de Capital do Samba.

– Marineth, o carnavalesco Alex de Souza afirmou que o tema é um tributo de mão dupla, entre a escola e o artista, de forma recíproca. A agremiação já desfilou com 12 sambas-enredos de Arlindo Cruz. O primeiro, “Jorge Amado, axé do Brasil”, foi em 1989. Em 1993, com “Império Serrano, um ato de amor”, parceria de Aluízio Machado, Acyr Marques e Bicalho, a escola voltou à primeira divisão do Carnaval e ganhou o Estandarte de Ouro de melhor samba. Do desfile de 1996, homenagem ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, o samba “Verás que um filho não foge à luta”, de Arlindo, Aluízio Machado, Índio do Império, Lula e Beto Pernada, é considerado um dos melhores do Carnaval.

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– Athaliba, o intérprete foi o Jorginho do Império. Substituiu a Roger da Fazenda, que por quatro anos era o cantor oficial da agremiação. A porta-bandeira Rita Freitas ganhou o Estandarte de Ouro. E Betinho, que desfilara no último carro-alegórico, denominado “Um ser de luz”, com o público gritando “já ganhou”, faleceu pouco mais de um ano depois, em agosto de 1997. Nesse ano, o desfile de “O mundo dos sonhos de Beto Carrero”, com samba de Arlindo, Carlos Senna, Índio do Império e Maurição, resultou no 3º rebaixamento da escola. O enredo causara polêmica por não ser da tradição da agremiação, sendo bancado financeiramente pelo homenageado.

– Marineth, a adulação oportunista ao empresário criador do Beto Carrero Word acarretou conflitos internos entre segmentos da escola. No desfile, a direção usou faixa preta no braço em sinal de luto pela morte de Antônio dos Santos, o Mestre Fuleiro, um dos fundadores da escola. O lugar que ele ocuparia no carro abre-alas passou vazio pelo trajeto do desfile. Apesar de ser rebaixada, a escola ganhou o quinto Estandarte de Ouro, no quesito bateria, comandada por Wanderley da Serrinha.

– Athaliba, em 1998, após ganhar o título na 2ª divisão com o tema “Sou o ouro negro da mãe África”, a escola foi novamente rebaixada no desfile de 1999. O enredo “Uma rua chamada Brasil”, teve samba de Arlindo, Carlos Senna, Maurição e Elmo Caetano. Retornando à escola, a porta-bandeira Rita Freitas ganhou o terceiro Estandarte de Ouro. O samba de Arlindo, Maurição, Carlos Senna e Elmo Caetano, em 2001, sobre o enredo “O rio corre pro mar”, foi laureado com o prêmio Estandarte de Ouro e garantiu a permanência da escola na 1ª divisão.

– Marineth, creio que o enredo “E onde houver trevas que se faça a luz”, de 2003, é cabível para reflexão da nação imperiana. O samba de Arlindo, Aluízio Machado, Maurição, Carlos Senna e Elmo Caetano mostrou todos os aspectos da luz. Vamos torcer para que a luz seja divisada no fim do túnel do sambódromo e que os feudos familiares se encontrem nos Lugares de Arlindo. Pois, Arlindo Cruz, fonte de luz que é, conclama a todos que “seja sambista também”. Axé! Oxalá!

Tags: ColunaLenin Novaes
Lenin Novaes

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Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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