Coluna

UM MONTE DE COISAS

Juiz de Fora (MG) - Um monte de coisas habita nossa mente, que chega que nem pão quente, fumando e defumando o ambiente e faz que a gente tumultue a mente, e passa e a gente nem sente.

Um monte de coisas anda por aí perseguindo pessoas que caem no solo e não se aguentam de tanto correr atrás de outras coisas que nem têm importância, mas insistem em dizer nos outdoors das ruas que a gente precisa mais que tudo na vida ter. E o que fazer pouco se importam aqueles que insistem em dizer: compre, não importa quanto!

Um monte de coisas vive nas cabeças atormentando, e que medo que se sente de doença de pele, de vírus, de gente que deprime, ofende e nem sabe o porquê. Que importa se eu não concordo, o importante é que eu discordo, sempre. Viver é resistir, é entulhar um monte de coisas em um monte bem distante, como um armário que não se fecha, que a porta escancara, um armário ilusório, cheio de imaginação, cheio de coisas que enchem a vida da gente.

Foto: Beth Macdonald na Unsplash - 

Um monte de coisas entope a gente, besteiras, conversas sem sentido, que fazem todo o sentido para quem acredita em fantasmas, medos de ismos que nem sabem o que significam. O importante é dizer esse monte de coisas engarrando o cérebro, as artérias, entupindo que nem colesterol insano nos faz mais insanos. Que mundo besta esse, caramba, disse aquele poeta lá das Gerais.

Um monte de coisas a gente precisa manter bem distante. Porque nada mais importa do que saber que um turbilhão de palavras não tem sentido, mas fazem sentido por ser um monte de palavras amontoadas para não fazer sentido. E querer tirar o sentido da gente achando que o mundo é um monte de coisas amontoadas. Que mal faz um monte de coisas!

Cada um vive com um monte de coisas na cabeça. Algumas são necessárias, vai se saber para quê. Outras são desnecessárias e têm tanta importância que ninguém percebe que não passam de um monte de coisas, um monte… de coisas… e nem essas coisas fazem sentido algum.

Tem um monte de coisas rondando o mundo. E a gente, que se faz de esperta, desvia delas que nem um diabo foge da cruz. Se ele não fizesse um monte de coisas erradas não fugiria dela.. quem sabe!. Vai saber que monte de coisas ele fez para correr dela. A gente também faz um monte de coisas e nem por isso sai correndo também. Será que ele ou nós estamos errados ou ferrados da mesma maneira?

Vai daí que não faz sentido pensar em um monte de coisas, se nem mesmo um monte de qualquer coisa a gente pode tirar da frente. É melhor ficar no monte, sobre as coisas e olhar o mundo um monte de vezes. E tentar entender esse monte de coisas que entulha a gente.

Nilson Lattari

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Crônicas e Contos

NILSON LATTARI é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br, vencedor duas vezes do Prêmio UFF de Literatura (2011 e 2014) e Prêmio Darcy Ribeiro (Ribeirão Preto 2014). Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romance no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em crônicas, contos e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. "Ambos levam ao infinito, porém, em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem se valer da imaginação para um universo inexato e sem explicação".

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