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BOLSONARO DECLARA GUERRA AOS EUA

"Vamos invadir os EUA de madrugada, pintar o meio-fio deles e sair correndo." (Bolsonaro)

Rio de Janeiro - Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha - e muito - é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).

Ligado à Secretaria de Comunicação - SECOM - o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, sob o comando do secretário especial Fabio Wajngarten.

Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão e de sua prole.

Se o presidente ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.

Não é segredo para ninguém que o presidente tem feito tudo o que pode para dar boas notícias à nação; mas as notícias das últimas semanas não são exatamente boas. Nem aqui nem lá fora.

Arte - Nani Lucas

O presidente Jair Bolsonaro estava eufórico quando o secretário de comunicação, Fabio Wajngarten entrou em seu gabinete:

- Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei!

- Feliz com a vitória do Biden, presidente?

- Nada disso! Tá morrendo gente com a vacina chinesa do Dória! Escreve aí que a Anvisa suspendeu os testes da vacina Coronavac, do Dória. Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos a tomá-la…

- Calma, presidente, foi suicídio o caso da morte do voluntário que tomou a vacina. Não teve nada a ver com efeitos colaterais.

- Como, não!! Divulga, então, para a imprensa que a vacina induz ao suicídio.

- Presidente, o senhor não pode ficar espalhando essas fake news, o DRD já está lotado de recuos e desmentidos seus e de sua prole. Se o senhor ficar adulterando fatos, desmentindo e fraudando todo tipo de informação, daqui a pouco ninguém mais vai acreditar nas suas declarações.

- Isso não é fake news. No meu governo não tem fake news. Zero!

- Presidente, a imprensa anda divulgando que sua lives são cortinas de fumaça para encobrir a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa ao seu filho, o senador Flávio Bolsonaro e ao amigo Queiroz.

- Isso daí é uma calúnia, talkey? Meu filho construiu seu imenso patrimônio trabalhando duro na sua lojinha de chocolate, talkey?

- Não é o que diz o Ministério Público, presidente...

- Eu não quero mais falar sobre isso daí. Nós temos coisas mais importantes para tratar. Anote aí: “No tocante a esse negócio aí da Amazônia, nós temos que deixar de ser um país de maricas! Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora!”

- Presidente, o senhor acha mesmo uma boa ideia ameaçar os EUA? Eles tem o "Rambo" e nós temos o Mourão.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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