05,Jul
Agricultura

Gengibre para exportação é nova aposta de agricultores familiares do Leste de Minas

Cultura ainda é pouco difundida no estado e apresentou bons resultados em Aimorés

A colheita do gengibre começa cerca de sete meses depois do plantio das mudas
A colheita do gengibre começa cerca de sete meses depois do plantio das mudas. Divulgação/Emater-MG

O gengibre é originário da Ásia e chegou ao Brasil trazido pelos portugueses. Cada vez mais utilizado na culinária por seu aroma e sabor picante, também é muito procurado pela indústria de cosméticos, bebidas e medicamentos. O maior produtor do país é o Espírito Santo, que exporta boa parte da safra. Em Minas Gerais, alguns agricultores que começaram a investir na cultura estão conseguindo bons resultados.

Um exemplo vem de Aimorés, município que faz divisa com o Espírito Santo, e que já foi um grande produtor de arroz. Hoje, o café é o carro-chefe da produção agrícola do local. Mas, de olho na diversificação de atividades, um grupo de agricultores familiares do distrito de Alto Capim fez o primeiro plantio de gengibre em 2019. Se nos séculos passados a raiz veio de terras estrangeiras, agora está fazendo o caminho inverso. Toda a produção de Aimorés está sendo exportada para a Europa e os Estados Unidos.  

“A exploração de gengibre é mais uma diversificação para geração de renda e incentivo ao produtor para continuar no meio rural, evitando a migração para os grandes centros”, explica o técnico da Emater-MG, Wagner de Lima Mendes.

Plantio experimental
A produção no distrito teve início com Silvério José Vassuler, do município capixaba de Santa Maria de Jetibá, um dos destaques na produção nacional de gengibre e na venda para os consumidores internacionais. Ele conta que tem parentes e conhecia alguns produtores de Aimorés. Então, resolveu fazer um plantio experimental na região e mostrar a cultura para os agricultores locais. “Foi uma surpresa, produziu muito bem”, conta.

Para o produtor capixaba, a fertilidade do solo, a altitude entre 700 e 900 metros, e o clima da região favorecem o bom desenvolvimento do gengibre. “Faz muito calor durante o dia, mas a temperatura tem uma boa queda durante a noite. Isso é bom para a produção”, observa.

Com os bons resultados do plantio experimental, ele fez uma parceria com nove famílias de agricultores familiares que também plantam café no distrito. Hoje, as lavouras de gengibre somam 20 hectares e a primeira colheita já foi realizada. Tudo foi exportado. “Esse distrito foi um dos últimos a se desenvolver em Aimorés pela dificuldade de acesso e por demorar a ter energia elétrica. Atualmente, ele é referência no município, principalmente pela diversificação e os bons resultados na agropecuária”, comenta o técnico da Emater-MG, Wagner Mendes.

Pela parceria feita com o grupo de agricultores, Silvério fornece mudas, esterco, maquinário, caixas para embalagem e o transporte para escoar o gengibre. Os agricultores locais ficam responsáveis pelo plantio, condução da lavoura, colheita e embalagem. Eles recebem 40% do valor da caixa de gengibre.  

O cafeicultor Iran Carlos Oliveira faz parte dos agricultores de gengibre em Aimorés. Ele foi ao Espírito Santo para conhecer a cultura e resolveu apostar na atividade. Após a primeira colheita no início deste ano, não demonstra arrependimento. “O gengibre rende muito em uma pequena área. Em cada metro corrido plantado, a gente colheu uma caixa”, diz.

Ele e a esposa colheram 505 caixas de gengibre antes de começar a colheita do café. A partir de agosto, eles devem pegar outras 500 caixas. Cada uma delas tem 14 quilos e rende, para a família, R$ 45. “Pode até ser melhor que o café, que nem sempre tem preço que compensa”, afirma Oliveira.

Colheita
A colheita do gengibre começa cerca de sete meses depois do plantio das mudas. Em regiões onde a cultura já está consolidada, a produção é quase ininterrupta, já que ele pode ser colhido tanto verde, quanto maduro. 

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