Coluna

A ESTEIRA DO GENERAL MOURÃO

Rio de Janeiro - De vez em quando, fico achando que devo defender o governo Bolsonaro.

Afinal, não é justo que um governo eleito empunhando a bandeira da austeridade na economia e nos gastos públicos, prometendo reduzir impostos, cortar gastos, e acabar como o toma-lá-dá-cá dos partidos políticos, venha sendo atacado ultimamente só por causa de uma esteira elétrica à toa que o vice presidente quer comprar para sua residência oficial, no Palácio do Jaburu.

A imprensa divulgou que o governo federal abriu nesta segunda-feira licitação de R$ 44 mil para adquirir uma esteira ergométrica para a casa onde moram o general Hamilton Mourão e sua mulher Paula Mourão.

Justo. Afinal, precisamos pensar na saúde física da família do nosso vice-presidente. E depois, o que são 44 mil? Só precisaríamos que 730 famílias ficassem sem o auxílio emergencial de 600, por um mês.

Arte - Nani

O modelo escolhido pelo vice presidente vem com programas pré-configurados de exercício físico, tela touch screen de alta definição, alto-falantes estéreos, internet, TV a cabo e acessos a “cursos interativos”. Dizem que, pela bagatela de mais 20 mil, vem junto um personal trainer para ajudar o general e a dona Paula a usar corretamente a geringonça.

A justificativa para a compra é que o Palácio do Jaburu não tem aparelho “minimamente adequado” que atenda aos “princípios da ergonomia e biomecânica”, para a prática de exercícios físicos.

Os engenheiros que fabricaram a esteira deram o jeito de colocar tudo isso numa esteira por apenas R$ 44 mil, o que , comparado com os preços dos respiradores que o governador Wilson Witzel tem comprado para o Rio de Janeiro, é uma pechincha.

Outro dia, deu pena ver o general se exercitando em uma bicicleta, nas imediações do Palácio do Jaburu, como um simples mortal.

Apesar dos gastos, não vejo porque o contribuinte brasileiro deva se queixar.

Está tudo sobre controle. O Ministério da Saúde está entregue a um general paraquedista, que já nomeou 17 generais (o fato de nenhum deles ter cursado medicina, não vem ao caso) para o segundo escalão e a Fundação Nacional de Saúde está “bem” entregue ao Centrão.

E depois, o vírus está controlado. As mortes pelo Covid-19 diminuíram em todo o país, o PIB já dá sinais de recuperação e, ainda por cima, vivemos uma fase de crescimento econômico.

Todos os brasileiros já receberam o auxílio emergencial; todos os hospitais estão equipados e funcionando a todo vapor; todas as UTIs estão equipadas; não faltam máscaras, álcool gel, respiradores, roupas de proteção para os médicos e enfermeiros; os hospitais de campanha estão equipados e em pleno funcionamento e todos os salários dos profissionais da Saúde, estão pagos.

Portanto, as críticas contra a esteira do general são injustificadas. É impossível governar um país com dimensões continentais como o nosso sem estar em plena forma física.

E depois, se houvesse a mais leve suspeita de que a esteira é um desperdício de dinheiro do contribuinte, o presidente certamente abriria um inquérito.

Mas, apesar das críticas da imprensa, segundo uma ampla pesquisa realizada no cercadinho em frente ao Palácio da Alvorada, a maioria das pessoas estão satisfeitas com o governo.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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