20,Nov
Coluna

A sociedade que construímos

O ser humano é complexo, isto não é novidade. Somos racionais, emotivos, afetivos, instintivos... e estamos sempre em busca da tão sonhada e almejada felicidade. Outro sentimento que ninguém explica, mais que é real e periodicamente vivido por todos. 

Na vida cotidiana estamos sempre na eterna busca de explicações, para questionamentos intermináveis. Somos imprevisíveis e insaciáveis! 

Quando nos deparamos com o novo, nos assustamos... criando assim um paradoxo, algo contraditório, pois buscamos aquilo que não queremos encontrar. Pois quando o novo acontece o medo assume o lugar da alegria. A situação almejada não provoca entusiasmo, mas sim constrangimento. 

Neste momento, ao vermos aquilo que buscamos ser espantado pelos nossos medos nasce a frustração. O bom combate já não é mais vivido, e este lugar, é preenchido pela angústia. O sonho vira pesadelo! E da angustia as doenças do século. 

Desde que o ser humano, começou a viver em sociedade “organizada” ao mesmo ritmo em que ela foi se estruturando, proporcionalmente foram nascendo os ritos, os mitos, as morais, as normas... e tudo mais que conduziu a humanidade ao aprisionamento de si e a perca da veracidade de suas atitudes. 
Para constatarmos isto basta apenas observarmos a discrepância de nossos desejos, sonhos, palavras... de nossas ações e atitudes. São dois mundos, duas realidades, aquilo que vivemos em contraposição àquilo que queremos viver. 

Pode-se constatar esta realidade em alguns exemplos rotineiros, tais como: na escola, o aluno que é estudioso é discriminado pelos próprios colegas; o professor que é exigente é considerado fora de moda e tradicional demais; o funcionário público honesto e prestativo é burro, parece nadar contra a maré; o ser humano que busca a verdade não serve, e muitos começam a ter vergonha de serem honestos. 

Os que servem são os humanos passivos que aceitam e mantêm o sistema; o policial que cumpre sua função é maluco, mexer com bandido é melhor fazer vista grossa; o político que é decente, não serve, preferimos votar naquele que nos favorece; o médico humanitário não presta pois não atende ao interesse da classe a que pertence; o comerciante que é honesto não cresce; e assim vamos vivendo, criando e recriando uma sociedade de não-valores, onde o bom é ser ruim. Ser honesto e verdadeiro é sinônimo de fracasso, de ficar a margem da sociedade hipócrita... é sinônimo de ser vergonha, de ser como um “zé ninguém”. Se queremos e buscamos uma sociedade justa e humana devemos repensar nossa existência, devemos repensar nossa ética, nossos valores. Não aqueles que estão nos papéis, pois são belos demais, devemos repensar aqueles que vivemos, pois são desses que nascem as vitórias e as derrotas, nascem o amor e o ódio, nascem a vida e a morte! 

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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