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Home Colunas

Iyá Nassô na Padre Miguel

Por Lenin Novaes
6 de janeiro de 2025 - 09:06
em Colunas

Andressa Marinho é a rainha de bateria da Unidos de Padre Miguel. Divulgação - 

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– Athaliba, a Padre Miguel, campeã do Grupo de Acesso, ano passado, com nota máxima de 270 pontos, desbancando Império Serrano e Estácio de Sá, pode surpreender no Carnaval, no Grupo Especial. A escola vai apresentar Egbé Iyá Nassô, tema desenvolvido pelo tarimbado carnavalesco Alexandre Louzada, parceria com Lucas Milato. O enredo mostrará, sob as bênçãos de Xangô, a trajetória de Yyá Nassô – Francisca da Silva, nome de batismo – e do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho.

– Marineth, o Louzada, nascido em Niterói – o outro lado da poça d’água, em relação ao Rio -, tem destaque no pódio da história do Carnaval. Foi campeão no Rio e São Paulo, em 2011.  E, em 2017, tornou-se o único carnavalesco campeão do Carnaval em quatro das grandes escolas de samba diferentes. No ano de 1987, quando carnavalesco da União da Ilha, com Extra, Extra, me convidou para desfilar. O enredo era sobre comunicação. E aí, entre outros coleguinhas, levei a Fátima Bernardes, então repórter da TV Globo, que trabalhava comigo na emissora.

– Pois é, Athaliba. Os componentes da vermelho e branco prometem realizar bom desfile e, assim, ficar entre as primeiras escolas colocadas na classificação geral. O desafio é enfrentar de igual para igual a Mangueira, Salgueiro e Portela. Mas, o carnavalesco diz estar “maravilhado em poder contar a história de Iyá Nassô, a semeadora do culto aos orixás no Brasil; pois o enredo celebra a ancestralidade africana e consagra o primeiro Ilê plantado em terras do nosso país, instaurando a religião do Candomblé”.

– Marineth, o Louzada obteve o primeiro título de campeão com o enredo Chico Buarque da Mangueira, em 1998, com a Estação Primeira de Mangueira. E teve o único rebaixamento para o Grupo de Acesso, com o enredo Samba, sabor e chocolate, no desfile da Caprichosos de Pilares, ao ficar no 15º lugar, em 1996. Começou na Portela, em 1985, obtendo o 4º lugar com Recordar e viver. Passou pela Unidos do Cabuçu, Cubango, Acadêmicos da Rocinha, Unidos da Ponte, Grande Rio, Estácio de Sá, Inocentes de Belford Roxo, Porto da Pedro, São Clemente, União de Jacarepaguá, Mocidade de Padre Miguel, Viradouro, Beija-flor e Unidos da Tijuca.

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– Athaliba, por três anos seguidos, 2006, 2007 e 2008, o Alexandre foi campeão. Com Soy loco por ti, América, pela Vila Isabel; Áfricas: do berço real à corte brasiliana e Macapaba: equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo, pela Beija-flor, respectivamente. Para embalar o desfile da Padre Miguel, 16 compositores associaram a cuca para escrever e colocar melodia no samba. São eles: Caio Alves, W. Corrêa, Diego Nicolau, Richard Valença, Júlio Alves, Renan Diniz, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Cabeça do Ajx, Chacal do Sax, Igor Federal, Thiago Vaz, Camila Myngal, Marquinhos, Faustino Maykon e Cláudio Russo. O cantor é o Bruno Ribas.

– Marineth, que patota é essa? Nunca vi coisa (“Que triste são as coisas, consideradas sem ênfase”, como diz o poeta Carlos Drummond de Andrade, em A flor e a náusea) assim. O quê prevalecerá: qualidade ou quantidade?

– Athaliba, quem viver verá! Importante é destacar a aprovação do enredo por Mãe Neuza Conceição Cruz, consagrada ao orixá Xangô, que é a sétima ialorixá do Ilê Axé Iyá Nassô Oka no comando da Casa Branca do Engenho Velho. Ela foi iniciada no candomblé por Mãe Marieta de Oxum. É a terceira consagrada a Xangô a governar o mais antigo terreiro de tradição Ketu e que faz parte do grupo de 10 templos reconhecidos como patrimônio brasileiro pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

– Marineth, como se deu a aquiescência?

– Athaliba, uma comitiva da Unidos de Padre Miguel foi ao terreiro da Casa Branca pedir autorização para apresentar a história do Egbé Iyá Nassô. Foi integrada pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato; os diretores de carnaval Cícero Costa e Lara Mara; e os “enreditas” Victor Marques e Clark Mangabeira, articuladores do texto da sinopse. Tiveram, então, a concordância da Iyalorixá Neuza Cruz de Xangô e demais integrantes do conselho espiritual da instituição.

– Marineth, que a Unidos de Padre Miguel seja bem sucedida, rivalizando com a Mocidade Independente de Padre Miguel. É um privilégio duas escolas de samba no mesmo bairro, assim como em Madureira, com Portela e Império Serrano.

– Athaliba, é o que se espera: jus a Egbé Iyá Nassô, com respeito e responsabilidade!

Tags: ColunaCRÔNICAS DO ATHALIBALenin Novaes
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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