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BELCHIOR VIVE!

“O artista não faz arte para viver. Faz para não morrer.” (Ediel)

Em entrevista concedida ao Jornal do Brasil em julho de 1987, um Carlos Drummond de Andrade abatido e desesperançoso declarou acreditar que seria esquecido tão logo nos deixasse. Dezessete dias depois ele nos deixou. 

A amarga profecia de sua última entrevista, no entanto, estava totalmente equivocada. Drummond nunca foi esquecido. Vive, ainda hoje, em seus poemas.

Dentre os muitos admiradores de Carlos Drummond de Andrade, creio ter sido Belchior  quem lhe prestou a melhor homenagem.   

Em 2004, Belchior, em parceria com o selo ‘Camerati’ e a ‘Revista Caras’, lançou o projeto ‘As Várias Caras de Drummond’.  Álbum com 31 poemas musicados por Belchior e um livro com 31 desenhos do poeta feitos pelo cantor-fã. No projeto, os poemas de Drummond se tornam músicas pelas mãos talentosas de Belchior.

quadro Belchior
Arte: William Medeiros

Sou fã de Belchior. Tenho todos os seus discos, mas, confesso, não conhecia “As Várias Caras de Drummond”. Um disco raro e lindíssimo. Musicar um poema, sem métrica, sem rimas fixas, que não foi feito tendo em vista uma melodia, já é bem difícil. Agora, musicar 31 poemas, e ainda de Drummond, o maior poeta brasileiro, é coisa de gênio. 

Belchior nasceu, Antônio Carlos Belchior, em Sobral, no Ceará, em 26 de outubro de 1946, foi um cantor, compositor, músico, produtor, artista plástico e professor. 

Durante sua infância em Sobral, foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música, coral e piano. Seu pai, Otávio Belchior Fernandes, era um cidadão muito respeitado na cidade - foi juiz e delegado. Sua mãe, Dolores, cantava no coral da igreja e seu avô tocava flauta e sax. 

Em 1962, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia e completou seus estudos no colégio de padres. Belchior viveu em comunidade com frades italianos no mosteiro Guaramiranga, onde aprimorou seu latim, italiano, canto gregoriano e aprendeu a ler Dante Alighieri, no original. 

Estudou Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística, ligando-se ao “Pessoal do Ceará”, um grupo de jovens compositores e músicos, que tinha entre eles  Fagner, Ednardo, Amelinha, Jorge Mello, Rodger Rogério, Teti e Cirino. 

O resto, é história. 

Belchior faleceu em  Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, no dia 30 de abril de 2017. Mas Belchior viverá para sempre na memória dos que amam a música e a poesia. 

Viva Belchior!

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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