Coluna

O lado bom da COVID-19

 

Você que está começando a ler este artigo deve estar se perguntando, como pode o autor deste texto querer escrever sobre algo bom de uma doença?! É possível pensar em algo positivo de uma doença que parou o mundo? 

Por mais estranho que possa parecer é possível sim. E vou começar minhas argumentações com um pensamento bem popular que diz que tudo na vida possui os dois lados, geralmente usamos uma expressão que sintetiza essa ideia, quando dizemos: “os dois lados da mesma moeda”. 

Um outro ponto é que podemos e devemos aprender com todas as situações. E com a pandemia não seria diferente. Dela também podemos extrair sabedoria, aprendizado e porque não dizer, também crescer humanamente. 

O fato da COVID ter desacelerado o mundo acabou provocando o retorno de cada um de nós para nós mesmos. E isto significou na prática uma possibilidade de poder dar novos significados a muitas coisas das nossas vidas. 

Um dia desses ouvi de um amigo, em tom de brincadeira, que a pandemia permitiu que ele conhecesse e curtisse a casa dele, algo que pode parecer estranho, mas como ele mesmo disse, na correria da vida ele só ia em casa, praticamente para dormir e suprir as necessidades básicas de alimentação e higiene. 

Outros comentam que estão curtindo a família, vivendo mais próximos dos filhos, experimentando novos afazeres domésticos, cuidando do quintal, das plantas, enfim, permitindo-se fazer algo que até então não era comum de se fazer.

Foto: Gustavo Fring/Pexels

Quantas outras pessoas estão descobrindo com o isolamento o quanto o outro é importante em nossas vidas, o quanto viver isolado por um longo período acaba por germinar a solidão. Estamos descobrindo que precisamos nos descobrir enquanto gente, que nosso lado humano estava se perdendo. 

Quantas pessoas estão conhecendo novas habilidades, aprendendo a cozinhar, adquirindo o hábito da leitura, criando artesanatos, aprendendo um instrumento musical, fazendo pequenos reparos em casa, enfim, estimulando novos saberes e práticas.  

Há um pensamento que diz mais ou menos assim: “não interessa o que fizeram com a gente, o que interessa é o que a gente faz com aquilo que fizeram da gente”. O fato é que a pandemia está aí bem presente em nossas vidas, gerando uma série de transtornos ainda de dimensões incalculáveis. Agora, simplesmente chorar não vai resolver nossos problemas e nem tão pouco ficar lamentando. O grande dilema é: de que forma sairemos dessa pandemia? 

Sinceramente, quero acreditar que depois da superação da doença, que também saiamos humanamente melhores, capazes de enxergar a vida com outros olhos; capazes de enxergar o outro com outros olhos; capazes de enxergar a si próprio com outros olhos. 

A COVID, por mais problemas que trouxe, permitiu na mesma proporção que cada um tornasse morador da sua própria residência, portanto, morador de si mesmo.

Walber Gonçalves de Souza

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Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

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