Coluna

PAPO DE BOTEQUIM

Ediel Ribeiro, jornalista e cartunista

Rio - Numa quarta-feira de fevereiro, antes de um Flamengo e Vasco, fui a Câmara dos Vereadores receber uma Moção de Honra, concedida pelo Vereador Pedro Porfírio.

Na mesma solenidade, outros jornalistas também foram homenageados pela luta em prol da democratização da radiodifusão no Rio de Janeiro.

Três dias depois, fui preso pela Polícia Federal por dirigir, uma das mais antigas rádios comunitárias do país, a 96 FM.

Aliás, já fui preso três vezes. Por ser jornalista, humorista e radialista. 

Se soubesse, seria corrupto.

Saí da Câmara e parei no Bar Amarelinho, ali ao lado, entupido de gente.

Tomei um porre tão grande que perdi o diploma que havia recebido. Nem sei como cheguei em casa.

Só lembro que fui acordado pelo motorista do táxi em frente ao meu apartamento. Só com a medalha – que recebi junto com o diploma – pendurada no pescoço.

E esse não foi o primeiro nem – com certeza – o último porre da carreira.

Quando eu editava o “Cartoon”, um jornalzinho de humor carioca que circulou nos anos 80, onde publicavam vários cartunistas órfãos do “Pasquim”, fui entrevistar o Ykenga, cartunista do jornal “Extra”, que, na época, trabalhava no jornal “O Povo”, que ficava ali na Lapa.

O papo rolou no Carlitos, um bar ali próximo ao apart-hotel onde morou o Jaguar .

Conversamos até altas horas da noite, saímos dali os dois num tremendo porre. 

Resultado: perdi todas as fitas com a entrevista e, pior: não me lembro das perguntas nem das respostas.

Outro porre.

Fomos Eu, Ykenga, Ferreth, Leonardo e Jaguar ao bar Degrau, no Leblon, entrevistar o Otelo Caçador, cartunista que durante anos publicou o “Penalty do Ótelo” uma página de humor no jornal “O Globo”.

Exceto o cartunista Leonardo, hoje no jornal O Dia – que na época ainda era menor de idade –, todos tomamos um dos maiores porres de todos os tempos.

Dali, fomos terminar a noite no Bar Brasil, na Lapa.

Dessa vez, eu guardei todo o material da entrevista numa bolsa, amarrada na cintura.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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