Coluna

FREUD, WILDE E BUKOWSKI

RIO - Sonhei que estava sentado num bar bebendo com Freud, Oscar Wilde e Charles Bukowski. 

O bar é sujo, mais do que um pouco decadente.

Por entre as mesas vazias quase se pode sentir o cheiro da cerveja e dos cigarros amassados no chão.

Freud fala da mãe de Charles.

Divulgação

Wilde, de poesia e Bukowski de putaria.

Eu ouço, compenetrado, os três.

Freud vê na mente obscena de Bukowski, um complexo de Édipo mal resolvido.

Oscar Wilde confronta Freud com a perfeição impossível, as convenções estabelecidas pela psicologia e a mortalidade inevitável.

Bukowsky manda os dois se fuderem.

Eu bebo.

Wilde rebate Bukowski: "O senhor dispõe só de alguns anos para viver deveras, perfeitamente, plenamente. Quando a mocidade passar, a sua beleza ir-se-á com ela, deveria aproveitá-la melhor".

Sempre haverá o whisky e as mulheres, seu viado, diz Bukowski.

Freud bate no ombro de Wilde, resignado, e os dois entornam a bebida goela à baixo.

Bukowski enche meu copo e continuamos bebendo, calados.

Fica um silêncio pesado no ar.

O ceticismo, a indulgência e o desprezo pela vida venceu a poesia e a psicologia.

Ediel Ribeiro (RJ)

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Coluna do Ediel

Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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