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Home Colunas

O CARTUNISTA SETH

Por Ediel Ribeiro
11 de março de 2020 - 05:26
em Colunas

ARTE - SETH

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Na época da Ditadura Militar no Brasil, alguns artistas se escondiam atrás de pseudônimos. Millôr Fernandes, por exemplo, assinou várias de suas obras como Vão Gôgo, na extinta revista “O Cruzeiro”.

Mas, o cartunista fluminense Álvaro Marins, abusou. Além do nome Álvaro, usou mais três epitetos – como se dizia na época. Me fez lembrar “Ubaldo, o paranóico”, personagem do Henfil.

Álvaro nasceu em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, em 18 de janeiro de 1891. Foi desenhista, cartunista, ilustrador e caricaturista, dos bons. 

Em 1905, mudou-se para Campos (RJ), para estudar. Aos 15 anos, publicou sua primeira charge na revista “O Malho” com o pseudônimo de Junqueira. 

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Na época, “O Malho” era a maior revista ilustrada do país. Fundada no Rio de Janeiro, em 1902, circulou por mais de 50 anos. A revista possuía os melhores desenhistas da época. Fizeram parte da revista, além de Álvaro – que depois passou a assinar suas obras como Seth -, J. Ramos Lobão, Gil, J. Carlos, Calixto Cordeiro, Raul, Yantok, Alfredo Storni, Cícero Valadares, Angelo Agostini, Alfredo Cândido, Augusto Rocha, Ariosto, Vasco Lima, Loureiro, Nássara, Luis Peixoto, Téo, Enrique Figueiroa, Del Pino, Guevara e Adres.

Em Campos passou a colaborar com o extinto jornal “O Cutelo de Campos”.

Em 1908, mudou-se para o Rio de Janeiro onde cursou desenho no Liceu de Artes e Ofícios. A partir de 1910, colaborou com a revista “Tico-Tico”, passando a assinar seus desenhos como Guido.

Na época passa a trabalhar na revista “O Gato” , onde adota o pseudônimo de Seth assinando charges atacando o governo do presidente Hermes da Fonseca.  

Na revista “O Gato”, além das charges políticas, Seth começa a desenhar suas primeiras caricaturas. 

O sucesso como caricaturista não demorou a chegar. A partir de 1913, Seth logo é convidado para trabalhar no jornal “A Noite”, vespertino fundado pelo jornalista Irineu Marinho.

Além do jornal da família Marinho, o cartunista publicou também nas revistas “Fon-Fon” – que tinha entre seus ilustradores J. Carlos, Nair de Tefé, Raul Pederneiras, K. Lixto e o pintor Di Cavalcanti -; “Seleta”, “Figuras & Figurões” e “Dom Quixote”, do Rio de Janeiro.

Entre 1917 e 1918, realiza trabalho pioneiro de desenho animado, produzido pelo laboratório Marc Ferraz e exibido em salas de cinemas cariocas.

Em 1936, ilustra o livro “O Amor Infeliz de Marília e Dirceu”, de Augusto Lima.

No ano seguinte, publica o álbum Exposição, com desenhos a bico de pena da série “Flagrantes cariocas”, produzida entre 1929 e 1936. Neles, satiriza os costumes das classes populares. 

Desenhista virtuose na técnica a bico de pena, Seth aborda em suas caricaturas temas políticos e populares, em tom sarcástico. Zomba dos líderes políticos e de suas ações no governo. 

As charges do Seth, ainda hoje, são bem atuais. Na charge “Ressurreição”, por exemplo: Uma viúva vendo o marido morto levantar-se do caixão pergunta-lhe se teria ressuscitado, recebendo a resposta: “Por horas apenas, vim votar…”. 

Não lembra a votação para a criação do “Aliança pelo Brasil”, o novo partido do Bolsonaro, onde pessoas mortas “apareceram” para votar?

Em outra charge de Seth, bem atual, um investigador policial examinando um cadáver com uma lupa, exclama: “Eis um crime que vai dar o que fazer ao meu talento de policial, visto o assassinado estar morto e não poder dizer-me quem é o assassino…”

Alguma coincidência com a morte do capitão Adriano, amigo do presidente Bolsonaro, morto na Bahia?

Nos últimos anos de vida o cartunista se dedicou à criação de anúncios publicitários.

Seth faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de janeiro de 1949. 

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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