14,Dec
Cidades

Desfile de detentas marca lançamento de roupas confeccionadas em unidade prisional

Estampas das peças também foram criadas pelas presas em aulas de arte na escola da penitenciária

Corredores das oficinas do Complexo Penitenciário Estevão Pinto, no bairro Horto, em Belo Horizonte, foram transformados em passarela de moda, na última sexta-feira (22/11). Todas as 47 peças apresentadas no evento - vestidos, saias, blusas e saruels - foram confeccionadas por oito presas que trabalham na fábrica da marca Libertees, instalada na penitenciária. Das 14 modelos do desfile, três trabalham na produção da grife.

Os primeiros passos na passarela, cheios de personalidade e ares de modelo profissional, foram de Ingrid Suellen Dias, 25 anos. Há nove meses ela atua na produção da grife e conquistou, no ano passado, o título de Miss Prisional — evento organizado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) em todas as unidades femininas do estado.

desfile de detentas
Das 14 modelos do desfile, três trabalham na produção da grife (Marcella Fabrini / Divulgação)

“Estou amadurecendo cada dia mais, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. O desfile de hoje teve um significado muito especial para mim, pois eu costurei algumas das peças apresentadas”, revelou Ingrid. Além do talento para desfilar, ela é capaz de assumir qualquer máquina de costura ou etapa da produção, pois além de ter feito curso de corte e costura, também recebeu capacitação da empresa Libertees.

Para que o evento acontecesse, as idealizadoras da marca Marcella Mafra e Daniela Queiroga contaram com apoio da Superintendência de Humanização do Atendimento — do Departamento Penitenciário de Minas Gerais – e da direção geral do Complexo Penitenciário Estevão Pinto, de uma agência de modelos, um DJ, uma professora de moda e uma equipe responsável pelos cabelos e maquiagem das modelos.

A diretora-geral da unidade prisional, Márcia Ferreira, ressaltou a missão diária de todos os servidores da Estevão Pinto: trabalhar pela ressocialização. “Este projeto traz contribuições imensas para o futuro das detentas. Acreditamos, realmente, na possibilidade de mudança, pois a Libertees vai além da capacitação profissional, ela proporciona novos entendimentos da vida ”, avaliou.

As estampas das roupas foram criadas pelas detentas nas aulas de artes da escola formal instalada na penitenciária, da Secretaria de Estado de Educação. As donas da grife ficaram impressionadas com as cores e expressividade dos trabalhos e tiveram a ideia de aplicá-los nas peças.

Marcella Fabrini / Divulgação

Dedicação
Marlene Aparecida da Silva, 30 anos, é outra detenta que trabalha na grife e desfilou no evento. Ela está na produção desde a criação da marca, em setembro de 2017 e diz se sentir orgulhosa de estar no processo de criação e produção e da participação da grifemarca no Minas Trend — evento realizado em Belo Horizonte, que reúne os principais nomes e marcas do universo fashion de Minas e do Brasil. “É lindo e gratificante estar aqui de forma produtiva. Este evento, dentro da penitenciária, ajuda a mostrar nosso valor e fazer as pessoas verem o quanto podemos amadurecer”, desabafa Marlene.

As presas trabalham de segunda a sexta-feira, das 8 às 16h, recebem ¾ do salário mínimo e têm direito à remição de pena, ou seja, para cada três dias de atividades, um a menos na pena.

“Daqui vão sair mulheres incríveis. A moda é um instrumento de transformação social e a Libertees significa a realização de um sonho, pois juntas ajudamos no desenvolvimento humano”, comentou Marcella Mafra, uma das sócias.

Estiveram presentes no desfile profissionais de moda, jornalistas, servidores da Justiça e Segurança Pública e ainda organizadores do Festival de Moda de Belo Horizonte (Mood).

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