21,Oct
Brasil

Procurador que esfaqueou juíza passa hoje por audiência de custódia

Preso por tentativa de homicídio, após esfaquear uma juíza federal na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), o procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção deve passar pela audiência de custódia na tarde desta sexta-feira (4), em São Paulo. Ele foi preso ontem (3) pela Polícia Federal após o ataque à juíza Louise Vilela Leite Filgueiras Borer na sede do TRF3, na Avenida Paulista, região central da cidade.

Em nota conjunta, a Associação dos Juízes Federais do Brasil e a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul manifestaram solidariedade à magistrada e pediram apuração rigorosa do caso.

As associações reivindicam ainda mais segurança para que os juízes possam trabalhar. “A falta de segurança que acomete o ofício dos magistrados é crônica. Não se justifica, em nenhuma hipótese, colocar vidas em risco por motivo de restrições orçamentárias. A segurança, a ser garantida por profissionais devidamente treinados, é essencial para o exercício do ofício judicante”, acrescenta o comunicado.

Para as entidades, a situação de violência pode ser reflexo do clima político no país. “O momento político em que vivemos, por sua vez, com a interdição do diálogo e a polarização ideológica, contribuem para o acirramento dos ânimos e para o desrespeito crescente às instituições. O Poder Judiciário tem sido objeto de ataques vis, que maculam a sua independência e botam em xeque a sua autoridade”, diz a nota.

Surto psicótico

O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional lamentou o episódio e também manifestou solidariedade à juíza vítima do ataque. “Manifestamos todo o apoio e solidariedade à magistrada e à sua família neste momento traumático”, diz a nota.

Segundo o sindicato, Matheus Assunção aparentava encontrar-se “em estado de surto psicótico, no momento do ato”. Por isso, a entidade reforçou a necessidade de a apuração levar em consideração “as condições pessoais do procurador Matheus no momento do episódio, conferindo-se a ele o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa”.

De acordo com o sindicato, a atitude do procurador causou espanto nos que conviviam com ele. “Tal fato surpreende a todos da carreira e, principalmente, àqueles mais próximos de Matheus, um profissional dedicado, admirado pelos pares, ingresso na PGFN [Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional] desde 2008, mestre e doutor pela USP [Universidade de São Paulo], e a quem amigos e colegas de trabalho reiteram estima”, acrescenta a nota.

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