O Supremo Tribunal Federal realiza, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, um evento institucional para relembrar os atos golpistas ocorridos há três anos, quando milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, exigindo uma intervenção militar e a ruptura da ordem democrática.
A iniciativa, intitulada “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, reúne uma série de atividades ao longo do dia, incluindo exposição fotográfica, exibição de documentário, roda de conversa com jornalistas e uma mesa-redonda no Salão Nobre da Corte.
Programação
A programação tem início no começo da tarde de 8 de janeiro, com a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, no Espaço do Servidor do STF. Em seguida, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”, no Museu do Supremo.
Na sequência, o evento contará com uma roda de conversa com profissionais da imprensa, abordando o papel do jornalismo na cobertura dos ataques às instituições democráticas. O encerramento será marcado pela mesa de debate “Um dia para não esquecer”, também no Salão Nobre do tribunal.
Contexto dos ataques
Os atos de 8 de janeiro de 2023 foram o ponto culminante de uma escalada de mobilizações iniciadas após a divulgação do resultado das eleições presidenciais, em 30 de outubro de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
Naquele período, grupos inconformados com o resultado eleitoral promoveram bloqueios de rodovias e mantiveram acampamentos em frente a quartéis do Exército em diversas cidades do país, defendendo abertamente um golpe militar.
A radicalização incluiu episódios como a tentativa de explosão de uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal após a queima de ônibus no dia da diplomação do presidente eleito.
Golpe de Estado
Ao recordar os dois anos dos ataques, em cerimônia realizada em 2025, o então presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que o 8 de janeiro representou a face mais visível de um movimento articulado nos bastidores para subverter o regime democrático.
“Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui também um esforço para virar a página, mas sem arrancá-la da história”, afirmou Fachin à época.
Condenações
As investigações conduzidas após os ataques resultaram na condenação de Jair Bolsonaro e de aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados. Segundo as decisões judiciais, o ex-presidente atuou para desacreditar o sistema eleitoral e tentou convencer comandantes militares a aderirem a uma ruptura institucional com o objetivo de permanecer no poder após a derrota nas urnas.






