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Home Notícias Brasil

Júri do caso Henry entra no 10º dia após depoimentos de Jairinho e Monique

Julgamento mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro entra na fase decisiva e pode ter veredito anunciado ainda nesta quarta-feira

Por Redação
3 de junho de 2026 - 12:11
em Brasil
Depoimentos ampliam pressão sobre Dr. Jairinho no júri do caso Henry Borel

Foto: Brunno Dantas / TJRJ

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O julgamento pela morte de Henry Borel chegou ao décimo dia nesta quarta-feira (3) e se aproxima de um desfecho que mobiliza o país desde março de 2021. Após ouvir 22 testemunhas, peritos, policiais, médicos e familiares, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro entrou na fase final dos debates entre acusação e defesa, etapa que antecede a votação dos jurados.

A expectativa é que o Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres, comece a analisar os quesitos do processo ainda nesta noite. Dependendo da duração dos debates, o veredito poderá ser conhecido entre a madrugada e a manhã de quinta-feira (4).

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros respondem por homicídio qualificado e outros crimes relacionados à morte de Henry, que tinha apenas 4 anos. A acusação sustenta que a criança foi vítima de sucessivas agressões praticadas por Jairinho e que Monique tinha conhecimento da violência sofrida pelo filho, mas não tomou medidas para protegê-lo.

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Jairinho nega agressões e tenta desmontar versão da acusação

Um dos momentos mais aguardados do julgamento ocorreu na terça-feira (2), quando Jairinho finalmente prestou depoimento aos jurados.

O interrogatório só aconteceu após o depoimento de Monique, depois que a defesa conseguiu uma decisão judicial garantindo que o ex-vereador pudesse conhecer previamente todas as acusações apresentadas durante o julgamento.

Durante várias horas, Jairinho negou qualquer agressão contra Henry e afirmou que está sendo responsabilizado por um crime que não cometeu.

Segundo ele, a relação com o menino era afetuosa e jamais houve violência dentro de casa. O ex-vereador também questionou as conclusões da investigação e dos laudos periciais que apontaram uma hemorragia interna causada por laceração no fígado como a causa da morte da criança.

Ao longo do depoimento, Jairinho procurou levantar dúvidas sobre a dinâmica do caso e reforçou a tese apresentada por sua defesa desde o início do processo: a de que os ferimentos poderiam ter origem diferente daquela apontada pelo Ministério Público.

Outro ponto central do interrogatório foi a tentativa de descredibilizar os relatos de ex-companheiras e ex-enteadas que, durante o julgamento, relataram episódios de violência atribuídos ao ex-vereador.

Jairinho negou todas as acusações e afirmou que nenhuma delas resultou em condenação judicial. A estratégia da defesa foi demonstrar aos jurados que não existiria um histórico comprovado de agressões contra crianças.

Em alguns momentos, o ex-vereador demonstrou emoção ao recordar a madrugada em que Henry foi levado ao Hospital Barra D’Or. Segundo ele, houve desespero e tentativa de salvar a vida da criança.

A acusação, porém, sustenta que o conjunto das provas produzidas ao longo dos últimos quatro anos demonstra que Henry foi vítima de uma sequência de agressões e que a versão apresentada por Jairinho não encontra respaldo nos laudos oficiais e nos depoimentos colhidos durante o processo.

Divulgação / PCRJ

Monique mantém versão apresentada desde a prisão

Antes de Jairinho, Monique Medeiros também foi interrogada.

A professora reafirmou que desconhecia qualquer agressão praticada contra o filho e negou ter sido omissa diante de uma situação de violência.

Desde a prisão do casal, em abril de 2021, as defesas passaram a adotar estratégias distintas. Monique sustenta que não sabia dos maus-tratos, enquanto Jairinho nega a existência das agressões.

Para o Ministério Público, mensagens, depoimentos e outras provas reunidas ao longo da investigação demonstram que Monique tinha conhecimento de episódios anteriores de violência contra Henry.

Peritos reforçam tese de homicídio

Nos últimos dias, depoimentos técnicos tiveram peso importante no julgamento.

O médico-legista Luiz Carlos Leal Prestes afirmou aos jurados que a lesão encontrada no fígado da criança não poderia ter sido provocada pelas manobras de reanimação realizadas no hospital.

“Houve um homicídio por espancamento”, declarou o especialista durante sua oitiva.

Segundo os peritos, as múltiplas lesões identificadas no corpo de Henry eram incompatíveis com um acidente doméstico e indicavam agressões sucessivas.

A defesa apresentou especialistas que contestam essa interpretação, mas a acusação sustenta que os laudos oficiais são conclusivos.

Ex-companheiras relataram episódios de violência

Outro momento marcante do julgamento foi a oitiva de ex-companheiras e ex-enteadas de Jairinho.

Algumas testemunhas relataram agressões físicas e psicológicas supostamente praticadas pelo ex-vereador contra crianças e adolescentes.

Os depoimentos foram utilizados pela acusação para tentar demonstrar um padrão de comportamento violento. A defesa, por sua vez, classificou os relatos como versões distorcidas e sem comprovação judicial.

Veredito pode sair nas próximas horas

Iniciado em 25 de maio, o julgamento já é considerado o mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Após a conclusão dos debates, os jurados responderão a uma série de quesitos formulados pela juíza Elizabeth Machado Louro. A partir dessas respostas será definida a condenação ou absolvição dos réus.

Caso sejam condenados, Jairinho e Monique poderão receber penas elevadas e deixarão o plenário presos, embora ainda possam recorrer da decisão.

Enquanto o júri entra em sua fase decisiva, familiares de Henry acompanham os trabalhos com expectativa de que o julgamento encerre um dos casos criminais mais emblemáticos e acompanhados da história recente do país.

Tags: Caso HenryHenry BorelJAIRINHOjulgamentoJustiçaMonique MedeirosRio de Janeirotribunal do júri
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