19,Jun
Brasil

Filósofo faz duras críticas ao governo de Bolsonaro

“Uma para cumprimentá-lo e outra para mandá-lo enfiar o ministério no cu”.

A declaração é do filósofo Olavo de Carvalho e se refere ao ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, na entrevista do jornalista Daniel Rittner, do jornal Valor Econômico, publicada com o título Se continuar assim, mais seis meses e acabou e replicada n’o Globo, 17/3, domingo. Considerado como ‘guru’ do presidente Jair Bolsonaro, ele se manifestou sobre a crise no Ministério da Educação, demonstrando distanciamento do titular daquele órgão ministerial, com o qual teve apenas dois encontros. Daí, Olavo exteriorizou aquela opinião.

A entrevista aconteceu no sábado, 16/3, em Washington, capital dos Estados Unidos, antes da chegada de Jair Bolsonaro, convidado do empresário Donald Trump, o 45º presidente daquele país.

O encontro entre Bolsonaro e Trump, além da agenda de vários assuntos, incluindo o Acordo de Salvaguardas sobre a Base de Lançamento de Alcântara, gera muitas especulações centradas na afinidade ideológica de ambos. A mais que causa mais expectativa é se Bolsonaro terá postura de trumpista ou de representar o Brasil, como deve,considerando a obrigação do cargo que ocupa.

O escritor Olavo de Carvalho comentou que Bolsonaro se encontra de mãos amarradas por militares próximos com “mentalidade golpista”. Observou que é preciso mudança de rumo para o governo não acabar daqui a seis meses. E chamou os militares, que vê associados à mídia oposicionista, como um “bando de cagões”. Ele considera Bolsonaro um grande homem, mas que está sozinho e cercado por traidores fardados.

“Ele não escolheu 200 generais. Foram 200 generais que o escolheram. Esse pessoal quer restaurar o regime de 1964 sob um aspecto democrático. Eles estão governando e usando Bolsonaro como camisinha”, afirmou o filósofo, que fez referência especificamente ao vice-presidente Hamilton Mourão.

“Não digo que seja realidade, mas o que eles querem. O Mourão disse isso. Que voltaram ao poder pela via democrática. Se não é um golpe é uma mentalidade golpista”.

O jornalista fez a entrevista com Olavo de Carvalho à saída de uma sessão do filme Jardim das aflições, sobre suas ideias, num evento organizado pelo estrategista americano Steve Bannon e pelo executivo do mercado financeiro Gerald Brand.

O filósofo não descartou a oportunidade de reproduzir os seus comentários a Jair Bolsonaro, mas se reservou ao direito de fazer em ocasião adequada. E não no jantar da noite de domingo na residência do embaixador brasileiro em Washington na presença de figuras expoentes da direita estadunidense.

“Vou lá para comer”, disse Olavo de Carvalho.

Ele comentou ainda que não se vê como ‘guru’ do governo Bolsonaro e fez a seguinte observação:

“O sonho dos jornalistas é exercer influência no governo. Acham que eu sou igual a eles? Isso é muito vil, é muito miserável para um homem como eu. Eu quero mudar o destino da cultura brasileira por décadas ou séculos à frente. Estou tentando formar uma geração de intelectuais sérios, que vão formar outras gerações de intelectuais sérios. Eu sou Olavo de Carvalho, sou escritor, não preciso de governo, de cargos no governo”.

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