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Home Notícias Brasil

Gilmar critica CPI e diz que não há base legal para indiciar ministros do STF

Ministro reage a relatório que cita integrantes da Corte e fala em “cortina de fumaça” no trabalho da comissão

Por Redação
14 de abril de 2026 - 15:54
em Brasil

Foto: Marcelo Camargo | ABR. 

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta terça-feira (14) que não há respaldo legal para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) indicie ministros da Corte por crime de responsabilidade.

A declaração foi feita após a divulgação do relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que inclui pedidos de indiciamento contra Gilmar Mendes, além dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O documento, com 221 páginas, aponta supostos crimes de responsabilidade ligados ao caso do Banco Master, que tramita no STF, mas ainda precisa ser votado pela comissão.

“Indiciamento não é função de CPI”, diz ministro

Em publicação nas redes sociais, Gilmar Mendes questionou diretamente a validade jurídica da iniciativa.

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“O pedido do relator da CPI do Crime Organizado, voltado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, nos leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs.”

O ministro afirmou que o relatório “flerta com a arbitrariedade” ao tentar criminalizar decisões judiciais, como a concessão de habeas corpus.

Segundo ele, o indiciamento é atribuição exclusiva de autoridades policiais e não se aplica a esse tipo de situação.

“É elementar, até mesmo para um estudante de Direito, que o indiciamento constitui ato privativo de delegado de polícia e não se aplica a crimes de responsabilidade.”

Lei do impeachment e limites das CPIs

Gilmar Mendes também citou a Lei nº 1.079/1950, que regula os crimes de responsabilidade, para sustentar que o processo contra autoridades como ministros do STF não passa por CPIs.

De acordo com o ministro, a legislação atribui essa competência à Mesa Diretora do Senado, a uma comissão especial e ao plenário da Casa, sem prever atuação de comissões parlamentares de inquérito nesse procedimento.

Além da questão jurídica, o decano do STF fez críticas ao conteúdo do relatório, afirmando que a CPI se afastou de seu objetivo original.

“O relatório revela verdadeira cortina de fumaça, ao deixar de enfrentar o grave problema a que se propôs e ao dedicar-se a engrossar a espuma midiática contra o STF.”

A comissão foi criada para investigar a atuação do crime organizado, incluindo possíveis vínculos com agentes públicos.

Flávio Dino também reage

O ministro Flávio Dino, que não foi citado no relatório, também se manifestou em defesa da Corte.

Segundo ele, é um erro colocar o Supremo como principal problema do país, especialmente diante da gravidade das organizações criminosas.

“É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios.”

Dino afirmou ainda que o STF tem atuado de forma constante no combate a essas práticas.

Relatório ainda será votado

O relatório da CPI deve ser analisado pelos integrantes da comissão em sessão prevista para esta terça-feira (14). Parlamentares ainda podem pedir vista, o que pode adiar a votação.

Mesmo se aprovado, o documento não tem efeito automático de punição, mas pode servir de base para eventuais desdobramentos políticos ou jurídicos.

Tags: Banco MasterCPIGilmar MendespolíticaSTF
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