Há pouco mais de dois meses, o cenário do Cruzeiro era de preocupação. Sem vencer nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, eliminado precocemente de competições estaduais e acumulando atuações sem brilho, o clube parecia distante de qualquer disputa relevante na temporada. Hoje, a realidade é bem diferente.
Mesmo após o empate por 1 a 1 com o Fluminense, neste domingo, no Mineirão, a equipe chega à pausa para a Copa do Mundo vivendo seu melhor momento no ano. Sob o comando de Artur Jorge, a Raposa voltou a ser competitiva, garantiu vaga nas oitavas de final da Libertadores, permanece na disputa da Copa do Brasil e segue próxima do pelotão de frente do Brasileirão.
O desempenho recente mudou o ambiente dentro e fora do clube e recolocou o Cruzeiro no radar dos candidatos a protagonizar o segundo semestre.
Quando Artur Jorge foi anunciado, em março, o desafio parecia enorme.
A equipe vinha de um início irregular, ocupava as últimas posições do Campeonato Brasileiro e apresentava dificuldades ofensivas e defensivas. O treinador português assumiu um time sem confiança e com baixo rendimento coletivo.
Os números mostram a transformação.
Desde sua chegada, o Cruzeiro disputou 18 partidas, com dez vitórias, cinco empates e apenas três derrotas. O aproveitamento de 66,6% coloca o treinador entre os mais eficientes do futebol brasileiro no período.
Mais importante do que os números foi a mudança de comportamento da equipe. O Cruzeiro passou a controlar mais os jogos, criar oportunidades com frequência e demonstrar capacidade de reação mesmo em momentos adversos.
Libertadores volta a ser motivo de orgulho
Um dos principais méritos do trabalho foi recolocar o clube em evidência na principal competição sul-americana.
Após um início de campanha irregular, o Cruzeiro conseguiu a classificação para as oitavas de final da Libertadores e terá pela frente o Flamengo em um dos confrontos mais aguardados do mata-mata.
A campanha não foi perfeita. A derrota em casa para a Universidad Católica custou a liderança do grupo. Ainda assim, a equipe mostrou personalidade ao buscar pontos importantes fora de casa, inclusive em cenários de pressão.
O desempenho continental reforçou a sensação de que o time voltou a competir em alto nível.
Time cria muito, mas ainda desperdiça chances
Apesar da evolução, o Cruzeiro ainda apresenta pontos que precisam ser corrigidos.
O principal deles é a eficiência ofensiva.
Contra o Fluminense, por exemplo, a equipe produziu mais oportunidades que o adversário, dominou boa parte da partida e novamente encontrou dificuldades para transformar o volume de jogo em gols.
A situação tem se repetido em diversos compromissos da temporada.
Artur Jorge já admitiu que o aproveitamento das chances criadas é um aspecto que precisa evoluir, embora veja como positivo o fato de o time conseguir construir oportunidades com frequência.
Mercado pode fortalecer elenco
Outro fator que aumenta o otimismo da torcida é a próxima janela de transferências.
A diretoria trabalha para trazer reforços pontuais que possam elevar ainda mais o nível do elenco. A expectativa é de que os novos nomes cheguem para disputar posição entre os titulares e aumentem a competitividade interna.
Ao mesmo tempo, o clube tenta evitar a saída de jogadores considerados fundamentais para o esquema do treinador.
A manutenção da base tem sido vista internamente como essencial para a sequência da temporada.
Sonho que parecia distante
Se em março a preocupação era escapar das últimas posições do Brasileirão, agora o discurso já é outro.
O Cruzeiro chega ao intervalo da temporada vivo nas três competições mais importantes do calendário e com margem para crescimento.
Ainda há oscilações, como ficou evidente nas derrotas para São Paulo e Atlético-MG, além de alguns problemas defensivos pontuais. Porém, o saldo do trabalho é amplamente positivo.
A sensação entre torcedores e dirigentes é que Artur Jorge conseguiu devolver competitividade a uma equipe que parecia perdida no início do ano.
O segundo semestre reservará desafios maiores, especialmente diante de adversários como Flamengo na Libertadores e os confrontos decisivos da Copa do Brasil. Mas, pela primeira vez em muito tempo, o torcedor cruzeirense olha para o restante da temporada com esperança real de disputar títulos.






