Brasil

Ministério da Cultura busca retomada de prédio histórico do Dops no Rio

Imóvel que abrigou repressão política pode se tornar espaço de memória

predio do antigo Dops no Rio de Janeiro
Tânia Rego/ABR - 

Rio de Janeiro - O Ministério da Cultura estuda medidas para garantir a preservação do edifício da Polícia Central, na Lapa, centro do Rio de Janeiro, onde funcionou o Departamento de Ordem Política e Social (Dops). O prédio, utilizado como centro de repressão durante o Estado Novo e a ditadura militar, pode ser transformado em um espaço de memória e reflexão sobre os valores democráticos.

Entre as ações avaliadas pelo governo está a possibilidade de acionar o Termo de Transferência do Imóvel, de 1965, que permite a retomada do edifício pela União caso ele não esteja mais cumprindo sua função original. Segundo o Coletivo RJ MVJR – Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia, o prédio está abandonado há cerca de 40 anos.

“O Ministério da Cultura atua para garantir que espaços como esse sejam destinados à memória e à educação, transformando-os em locais de reflexão sobre os direitos humanos e a democracia”, declarou a pasta em nota oficial.

Visita técnica cancelada pelo governo estadual
Na última quarta-feira (26), uma visita técnica ao edifício foi cancelada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. A alegação oficial foi de que o local não está aberto a visitas devido ao monitoramento da estabilidade do imóvel. No entanto, segundo o Ministério da Cultura, o chefe de gabinete do governador, Rodrigo Abel, afirmou extraoficialmente que a decisão foi política e que o pedido será analisado após o Carnaval.

A inspeção teria como objetivo avaliar as condições do edifício e discutir sua possível transformação em um memorial. O cancelamento gerou protestos por parte de entidades de direitos humanos e da sociedade civil, que reivindicam a destinação do espaço para a memória histórica.

Patrimônio e legado da repressão
O prédio da Polícia Central é tombado pelo patrimônio histórico e foi palco de perseguições políticas ao longo do século XX. Ali, estiveram presos nomes como Luiz Carlos Prestes, Olga Benário e Nise da Silveira. O local também abrigou objetos sagrados apreendidos de religiões de matriz africana, que hoje integram o Acervo Nosso Sagrado, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 2024, diversas organizações apresentaram uma representação ao Ministério Público Federal pedindo que o governo federal retome o prédio e crie um Centro de Memória dos Direitos Humanos. Segundo o Coletivo RJ MVJR, apesar do estado de abandono, o edifício ainda preserva elementos autênticos da repressão, como celas, arquivos e mobiliários da época.

“A criação do Centro de Memória dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro será um marco na promoção de políticas de memória e reparação frente ao enorme passado de violência a que o povo brasileiro foi submetido ao longo da história”, defende a entidade.

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