Coluna

PRÉ-Conceito!

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.

(Albert Einstein)

Podemos chamar de “pré-conceito”, um conceito pré-concebido de algo, conceito este advindo somente de uma idéia gerada do desconhecido e que, na maioria das vezes, leva à injustiça, à marginalização, à discriminação, podendo causar outros danos, uma vez que o mesmo é baseado principalmente na aparência e na falta de empatia.

Fazer uso de um conceito prévio na maioria das vezes é extremamente perigoso, uma vez que pode-se provocar danos muitas vezes irreparáveis. Devido a um conceito antecipado de alguém, a empresa pode deixar de admitir um profissional que seria uma potência no que tange à sua profissão, podendo então perder um profissional que poderia ser um grande colaborador, devido a um mal-entendido. Até mesmo pode deixar de fechar um ótimo contrato por não perceber e valorizar tal profissional como deveria. Enfim, quando se faz um pré-conceito ou um pré-julgamento a empresa só tem a perder.

Com efeito, a prévia conceituação do profissional, sem conhecer o seu caráter, o seu conhecimento, a sua experiência em relação ao cargo que deveria ocupar, baseando-se somente na estrutura física do mesmo ou nas atitudes presentes em determinadas situações, é prática arriscada. Caso a empresa eventualmente admita ou faça tal prática, pode comprometer todo um trabalho, caso isso venha à tona, com inevitáveis arranhões em sua imagem que a duras penas foi construída ao longo de anos.

De qualquer maneira, apesar de negarem o preconceito, muitas empresas “pecam” quando do momento da contratação, fazendo talvez até de forma inconsciente a discriminação, se esmerando em demasia nas características físicas e não no talento, no conhecimento e nas habilidades, menosprezando grandes profissionais; por conseguinte, constatamos que esses estereótipos acabam por limitar o potencial da empresa justamente por esse descrédito. A empresa, por sua vez, sai perdendo em meio a um mercado altamente exigente e que não permite falhas e/ou perdas.

Neste raciocínio, é importante perceber que mesmo em um mercado altamente exigente, preconceitos latentes e ocultos poderão existir; assim, ser meticuloso é preciso. Nesse sentido, torna-se de grande valia uma monitorização contínua e que evitaria transtornos e danos futuros causados pelos conceitos antecipados.

Neste aspecto o preconceito na empresa lembra a imagem de um “trator”, que por onde passa causa uma “varredura” geral. Desta forma, vai “demolindo” o profissional, pois, além de gerar a discriminação entre os componentes, acarreta danos drásticos como depressão, revolta, repúdio, indignação, baixa auto-estima, desvios comportamentais, dentre outros. Como conseqüência a empresa terá baixa produtividade, uma vez que o profissional perde o entusiasmo, perde a alegria de trabalhar e de viver, perdendo também o prazer e o gosto pelo trabalho, deixando muito a desejar no que tange ao desempenho de sua função, alcançando deste modo, resultados muito aquém do esperado.

Se observado com atenção, o preconceito faz com que a empresa tenha uma visão “tosca”, “obscura” e equivocada do profissional, tornando-a desta maneira, intolerante, imprecisa e radical em sua tomada de decisão. Tais posturas podem colocar a empresa em uma situação frágil e vulnerável no mercado.

Neste raciocínio, partindo da idéia de que a empresa é resultado das ações do maior bem patrimonial que nela existe, ou seja, das pessoas, é de suma importância que ela, a empresa, se preocupe não somente com a saúde física, mas também com a saúde mental de seus colaboradores. Deve de forma constante patrulhar eventuais ocorrências de preconceitos, cuidando sempre de bani-los, jamais deixando que tal prática prolifere na empresa.  

Diante do exposto, implementar projetos que corroborem com a inclusão, integração e união de todos os colaboradores da empresa  é mais do que preciso – é necessário. A partir dessa estratégia os colaboradores se sentirão sensibilizados a se integrarem e a somarem, exercendo de fato o seu papel de “vitrine” da empresa na qual estão inseridos, dispostos a contribuírem para que haja mudança  e melhoria de fato, se entregando ao exercício de sua função sem quaisquer preconceitos,  zelando pela solidez da empresa. No entanto, há uma única exceção aceitável no momento da contratação de RH. Pessoas que destoam da maioria em sua aparência, tais como usuários de piercings grotescos na face e tatuagens e implantes estranhos em locais visíveis do corpo, eventualmente podem ser rejeitadas para determinadas funções, sobretudo naquelas que estão em contato com público e clientela. Mesmo assim, se o candidato tem talento, poderá ser alocado em um setor onde possa produzir bem, mas sem “chocar” a clientela. Naturalmente, se ele tem bom caráter e entrosa bem com as pessoas, com o tempo será naturalmente aceito pelos demais funcionários.

Posto isto, conclui-se que para exterminar o preconceito na empresa é preciso que haja mudança de percepção, de comportamento e de atitude diante das pessoas e fatos. Isto dependerá e muito do interesse da empresa no que tange à implantação e implementação de projetos para sensibilizarem os profissionais quanto ao tema em questão; entretanto, o sucesso desses dependerá de todos os profissionais que compõem a empresa.

É cediço que ambos, empresa e colaboradores deverão perceber vantagens em todo o processo e manifestarem suas vontades em querer de fato mudar; somente assim este mal poderá ser extinto.

Marizete Furbino, com formação em Pedagogia e Administração pela UNILESTE-MG, especialização em Empreendedorismo, Marketing e Finanças pelo UNILESTE-MG. É Administradora, Consultora de Empresa e Professora Universitária no Vale do Aço/MG.

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